Índice Geral | 2023-2026

sábado, 29 de agosto de 2026

CODINOME ABRAXAS # 13 – AMAUTA (PERU)

 

∞ editorial | A múltipla fagulha formadora da vida

 


1 | A revista peruana Amauta celebra seu centenário este ano, tendo sido fundada em Lima em 1926. Criada por José Carlos Mariátegui, a revista era publicada mensalmente (com algumas interrupções devido à saúde do autor ou à censura). Era impressa pela Editorial Minerva, empresa fundada por Mariátegui com seu irmão. Tratava-se de um projeto independente, sustentado por assinaturas, vendas diretas em livrarias e publicidade de pequenos comércios locais. Contava com agentes e distribuidores nas províncias do Peru e em capitais importantes como Buenos Aires, Cidade do México, Paris e Santiago do Chile. Isso permitia a publicação de textos internacionais e a exportação da revista. Mariátegui administrava tudo de sua própria casa em Lima (a famosa Casa Washington, como era amplamente conhecida). Sua residência servia como redação, gráfica e centro de encontros intelectuais. Mariátegui concebeu a revista sob a ideia de frente única, ou seja, não era uma publicação exclusiva de nenhum partido político. Ela reunia movimentos artísticos de vanguarda, indigenismo, socialismo e sindicalismo.

Amauta funcionou como uma ponte cultural. Nela se traduziu e publicou pela primeira vez na região obras de pensadores europeus de vanguarda (como Sigmund Freud, Máximo Gorki e ideias do Surrealismo). Ao mesmo tempo, exportou o pensamento indígena peruano para o exterior. A revista deu voz a intelectuais das províncias do Peru (especialmente Cusco e Puno). Criou um movimento descentralizado que uniu pensadores rurais e urbanos. Não era apenas uma revista para acadêmicos; sindicatos e movimentos camponeses a utilizavam para sua formação. Mariátegui buscava transformar ideias em ações concretas. Através de suas capas e ilustrações (muitas do artista José Sabogal), Amauta criou uma nova estética visual. Demonstrou que a arte ocidental moderna podia ser fundida perfeitamente com as raízes incas e andinas.

Com a morte de José Carlos Mariátegui, os amigos Francisco Ichazo, Félix Lizaso, Jorge Mañach e Juan Marinello assumem a direção da revista e publicam seus três últimos números. Na edição nº 29 encontra-se o ensaio “Autopsia del superrealismo”, de César Vallejo, um conjunto de parágrafos preconceituosos e que causou muita polêmica em seu momento. Desconfio seriamente que se estivesse vivo, Mariátegui não o teria publicado. No referido texto encontramos, dentre outros exemplos, este primor de equívocos insuperáveis:

 

Do pessimismo e do desespero que, em tempos, alimentaram a consciência do círculo, forjou-se um sistema permanente e estático, um módulo acadêmico. O berço moral e intelectual que o Surrealismo se propôs a promover, e que (mais uma falta de originalidade por parte da escola) teve origem e encontrou sua primeira e maior expressão no Dadaísmo, ossificou-se em psicopatia de gabinete e clichê literário, apesar das injeções dialéticas de Marx e da adesão formal e extraoficial dos jovens inquietos ao Comunismo. O pessimismo e o desespero devem ser sempre estágios, não objetivos. Para que possam agitar e fertilizar o espírito, devem se desdobrar até se tornarem afirmações sucessivas. Caso contrário, permanecem germes patológicos, condenados a se autodestruir. Os surrealistas, desafiando a lei da mudança brutal, academicizaram-se, repito, durante sua famosa crise moral e intelectual, e foram impotentes para transcendê-la e superá-la com abordagens verdadeiramente revolucionárias, isto é, destrutivas-construtivas. Cada surrealista fez o que bem entendeu. Eles romperam com inúmeros membros do partido e seus órgãos de imprensa, mantendo-se em constante afastamento das principais diretrizes marxistas. Do ponto de vista literário, suas obras continuaram a ser caracterizadas por um claro refinamento burguês. Sua adesão ao comunismo não teve qualquer influência no significado e nas formas essenciais de suas obras. Por todas essas razões, o Surrealismo declarou-se incapaz de compreender e praticar o verdadeiro e único espírito revolucionário da época: o marxismo. O Surrealismo rapidamente perdeu o único prestígio social que poderia ter justificado sua existência e iniciou seu inevitável declínio.


O mais curioso nessa ótica de Vallejo é que são acertos o que ele situa como erros e vice-versa. Ao erro tático do surrealismo de ingressar no Partido Comunista Francês equivale o acerto de logo em seguida superar essa impensada atitude e desvincular-se dele. Não me refiro, naturalmente, ao comunismo em sua essência, pois este é tema ainda hoje cabível de uma leitura mais detida, mas sim à via oficial partidária, esse cancro que a política jamais soube extirpar. Seja como for, o Surrealismo persiste e as palavras de Vallejo se tornaram parte de um folclore moral. Antes disso Vallejo havia publicado uma única vez nas páginas de Amauta, breve fragmento de um romance inédito.

Minha observação inicial leva em consideração o respeito que o próprio Mariátegui tinha pelo Surrealismo, e o modo como acolheu nas páginas de sua revista os ensaios de Xavier Abril, por exemplo. Também cabe lembrar a ampla compreensão da filosofia política, sendo caso exemplar o de seu ensaio fundamental “Defensa del Marxismo”, que ocupou vários números da revista, distribuído em capítulos que lançavam uma luz de entendimento sobre essa filosofia sem se enredar nos liames de uma reducionista perspectiva política.

A revista Amauta (1926-1930) foi pioneira na América Latina ao abrir espaço para o pensamento, a crítica de arte e o ativismo político liderados por mulheres. José Carlos Mariátegui entendia que a emancipação feminina era parte essencial da revolução social e da construção de uma nova identidade peruana. As mulheres não eram apenas colaboradoras ocasionais. Elas atuavam como críticas de arte, ensaístas, poetas e articulistas políticas, desafiando o conservadorismo da época. Além de Carmen Saco — de quem aqui selecionamos três artigos —, diversas outras intelectuais deixaram sua marca na publicação: Magda Portal, Dora Mayer, María Wiesse, Ángela Ramos, Blanca Luz Brum.

A escritora e professora Sara Beatriz Guardia — diretora da Cátedra José Carlos Mariátegui e fundadora do Centro de Estudios La Mujer en la Historia de América Latina, CEMHAL — nos estimulou a preparação desta edição de Agulha Revista de Cultura, dedicada ao centenário de Amauta. Ela própria nos enviou um ensaio comentando os aspectos centrais que nortearam a publicação da revista — em seu livro mais recente, Mujeres de la Revista Amauta, 2024, todos os artigos de escritoras peruanas, latino-americanas e europeias são publicados pela primeira vez —. As demais matérias foram selecionadas dentro do espectro editorial dos 32 números de Amauta, tratando de destacar alguns de seus principais temas.

Para o ambiente plástico de nossa edição, contamos com a presença do artista francês Bolesław Biegas (1877-1954). Escultor, pintor, escritor e dramaturgo. Ele começa no Simbolismo, passa pelo Art Nouveau, depois se aproxima do Cubismo e Futurismo após o Salon de la Section d’Or de 1912. Cria seu estilo próprio que chamava de Esferismo — figuras compostas inteiramente de círculos e esferas. Ficou famoso pelos retratos simbolistas, pelas figuras de vampiras e femmes fatales, e pelas esculturas de formas geométricas simplificadas. Fez parte da École de Paris. Dentre suas exposições, destacam-se: Salon d’Automne, Société Nationale des Beaux-Arts (1912-1927), além de exposições regulares em Varsóvia e Cracóvia com o grupo Sztuka. Em 1950 fundou em Paris o Musée Boleslas Biegas, onde reuniu suas obras e coleção pessoal. O museu ainda existe. Bolesław Biegas é o artista convidado desta edição de Agulha Revista de Cultura.

 


 2 | La revista peruana Amauta celebra este año su centenario, fundada en Lima en 1926. Creada por José Carlos Mariátegui, se publicaba mensualmente, con algunas interrupciones debidas a la salud de su director o a la censura. Se imprimía en la Editorial Minerva, empresa fundada por Mariátegui junto a su hermano. Era un proyecto independiente, sostenido por suscripciones, venta directa en librerías y publicidad de pequeños comercios locales. Contaba con agentes y distribuidores en las provincias del Perú y en capitales como Buenos Aires, Ciudad de México, París y Santiago de Chile. Esta red permitía recibir colaboraciones internacionales y exportar la revista. Mariátegui dirigía todo desde su propia casa en Lima, la famosa Casa Washington. Su residencia funcionaba como redacción, imprenta y centro de tertulias intelectuales. Mariátegui concibió la revista bajo la idea de frente único: no era el órgano exclusivo de ningún partido político. En ella convivían vanguardia artística, indigenismo, socialismo y sindicalismo.

Amauta funcionó como un puente cultural. Tradujo y publicó por primera vez en la región obras de pensadores europeos de vanguardia —Sigmund Freud, Máximo Gorki y las ideas del Surrealismo— y, al mismo tiempo, exportó el pensamiento indígena peruano hacia el exterior. Dio voz a intelectuales de las provincias del Perú, especialmente de Cusco y Puno, creando un movimiento descentralizado que unió a pensadores rurales y urbanos. No era una revista solo para académicos: sindicatos obreros y movimientos campesinos la utilizaban como material de formación. Mariátegui buscaba transformar las ideas en acciones concretas. A través de sus portadas e ilustraciones —muchas de ellas de José Sabogal—, Amauta creó una nueva estética visual, demostrando que el arte moderno occidental podía fundirse perfectamente con las raíces incas y andinas.

Tras la muerte de José Carlos Mariátegui, sus amigos Francisco Ichazo, Félix Lizaso, Jorge Mañach y Juan Marinello asumieron la dirección de la revista y publicaron sus tres últimos números. En el número 29 se encuentra el ensayo “Autopsia del superrealismo”, de César Vallejo, un conjunto de párrafos tendenciosos que causó gran polémica en su momento. Sospecho seriamente que, de haber estado vivo, Mariátegui no lo habría publicado. En dicho texto encontramos, entre otros, este ejemplo paradigmático de equívocos insuperables:

 

Del pesimismo y la desesperación que en su momento pudieron movilizar eficazmente la conciencia del cenáculo, se hizo un sistema permanente y estático, un módulo académico. La crisis moral e intelectual que el superrealismo se propuso promover —y que, en otra falta de originalidad de la escuela, arrancó y tuvo su primera y máxima expresión en el dadaísmo— se anquilosó en psicopatía de bufete y en cliché literario, pese a las inyecciones dialécticas de Marx y a la adhesión formal y oficiosa de los jóvenes inquietos al comunismo. El pesimismo y la desesperación deben ser siempre etapas y no metas. Para que agiten y fecunden el espíritu, deben desenvolverse hasta transformarse en afirmaciones sucesivas. De otro modo, no pasan de gérmenes patológicos, condenados a devorarse a sí mismos. Los superrealistas, burlando la ley del devenir brutal, se academizaron —repito— en su famosa crisis moral e intelectual, y fueron impotentes para trascenderla y superarla con formas verdaderamente revolucionarias, es decir, destructivo-constructivas. Cada superrealista hizo lo que le vino en gana. Rompieron con numerosos miembros del partido y con sus órganos de prensa y procedieron, en todo, en perpetuo divorcio con las grandes directivas marxistas. Desde el punto de vista literario, sus producciones siguieron caracterizándose por un evidente refinamiento burgués. La adhesión al comunismo no tuvo reflejo alguno sobre el sentido y las formas esenciales de sus obras. Por todos estos motivos, el superrealismo se declaraba incapaz de comprender y practicar el verdadero y único espíritu revolucionario de estos tiempos: el marxismo. El superrealismo perdió rápidamente la sola prestancia social que habría podido justificar su existencia y comenzó a agonizar irremediablemente.

 

Lo más curioso de la perspectiva de Vallejo es que toma por errores lo que son aciertos y viceversa. Al error táctico del surrealismo de ingresar al Partido Comunista Francés corresponde el acierto de superar de inmediato esa actitud desacertada y desvincularse de él. No me refiero, por supuesto, al comunismo en su esencia —tema que aún hoy merece un análisis más detenido— sino a la vía oficial partidaria, ese cáncer que la política jamás ha sabido extirpar. Sea como fuere, el surrealismo persiste y las palabras de Vallejo han pasado a formar parte de un folclore moral. Antes de ello, Vallejo había publicado una sola vez en las páginas de Amauta: un breve fragmento de una novela inédita.

Mi observación inicial tiene en cuenta el respeto que el propio Mariátegui sentía por el surrealismo y la forma en que acogió en su revista los ensayos de Xavier Abril, por ejemplo. Cabe recordar también su amplia comprensión de la filosofía política, ejemplificada en su ensayo fundamental “Defensa del Marxismo”, publicado en varios números de la revista en capítulos que arrojaban luz sobre esa filosofía sin enredarse en una perspectiva política reduccionista.

La revista Amauta (1926-1930) fue pionera en América Latina al abrir espacio para el pensamiento, la crítica de arte y el activismo político liderados por mujeres. Mariátegui entendía que la emancipación femenina era parte esencial de la revolución social y de la construcción de una nueva identidad peruana. Las mujeres no fueron colaboradoras ocasionales: actuaron como críticas de arte, ensayistas, poetas y articulistas políticas, desafiando el conservadurismo de la época. Además de Carmen Saco —de quien seleccionamos aquí tres artículos—, dejaron huella Magda Portal, Dora Mayer, María Wiesse, Ángela Ramos y Blanca Luz Brum.

La escritora y profesora Sara Beatriz Guardia —directora de la Cátedra José Carlos Mariátegui y fundadora del Centro de Estudios La Mujer en la Historia de América Latina, CEMHAL— nos animó a preparar esta edición de Agulha Revista de Cultura dedicada al centenario de Amauta. Ella misma nos envió un ensayo donde comenta los aspectos centrales que guiaron la publicación de la revista. En su libro más reciente, Mujeres de la Revista Amauta (2024), se publican por primera vez todos los artículos de escritoras peruanas, latinoamericanas y europeas aparecidos en Amauta. Los demás materiales fueron seleccionados dentro del espectro editorial de los 32 números, destacando algunos de sus temas principales.

Para la ambientación plástica de nuestra edición contamos con el artista polaco-francés Bolesław Biegas (1877-1954). Escultor, pintor, escritor y dramaturgo, se inició en el Simbolismo, pasó por el Art Nouveau y luego se acercó al Cubismo y al Futurismo tras el Salon de la Section d’Or de 1912. Creó un estilo propio que denominó Esferismo —figuras compuestas enteramente de círculos y esferas—. Se hizo famoso por sus retratos simbolistas, por sus figuras de vampiras y femmes fatales y por sus esculturas de formas geométricas simplificadas. Formó parte de la École de Paris. Entre sus exposiciones destacan el Salon d’Automne y la Société Nationale des Beaux-Arts (1912-1927), además de muestras regulares en Varsovia y Cracovia con el grupo Sztuka. En 1950 fundó en París el Musée Boleslas Biegas, donde reunió su obra y su colección personal. El museo sigue existiendo. Bolesław Biegas es el artista invitado de esta edición de Agulha Revista de Cultura.

 


 3 | The Peruvian magazine Amauta celebrates its centenary this year. Founded in Lima in 1926 by José Carlos Mariátegui, it was published monthly, with occasional interruptions due to its founder’s health or censorship. It was printed by Editorial Minerva, a company Mariátegui founded with his brother. It was an independent project, sustained by subscriptions, direct sales in bookstores, and advertising from small local businesses. It had agents and distributors in Peru’s provinces and in key capitals such as Buenos Aires, Mexico City, Paris and Santiago de Chile. This network allowed it to receive international contributions and to export the magazine. Mariátegui managed everything from his own home in Lima — the famous Casa Washington. His residence served as editorial office, print shop and hub for intellectual gatherings. Mariátegui conceived the magazine as a united front: it was not the exclusive organ of any single political party. It brought together avant-garde art, indigenismo, socialism and trade-unionism.

Amauta acted as a cultural bridge. It translated and published, for the first time in the region, works by avant-garde European thinkers — Sigmund Freud, Maxim Gorky and the ideas of Surrealism — and, at the same time, exported Peruvian Indigenous thought to the world. The magazine gave a voice to intellectuals from Peru’s provinces, particularly Cusco and Puno, fostering a decentralized movement that united rural and urban thinkers. It was not a publication solely for academics; trade unions and peasant movements used it for political education. Mariátegui sought to transform ideas into concrete action. Through its covers and illustrations — many by José Sabogal — Amauta created a new visual aesthetic, demonstrating that modern Western art could blend seamlessly with Inca and Andean roots.

After José Carlos Mariátegui’s death, his friends Francisco Ichazo, Félix Lizaso, Jorge Mañach and Juan Marinello took over the magazine and published its final three issues. Issue No. 29 includes the essay “Autopsy of Superrealism” by César Vallejo, a collection of tendentious paragraphs that sparked great controversy at the time. I strongly suspect that, had Mariátegui been alive, he would not have published it. In that text we find, among other examples, this paradigmatic instance of insurmountable errors:

 

Pessimism and despair, which at one point could effectively galvanize the consciousness of the cenacle, hardened into a permanent, static system — an academic formula. The moral and intellectual crisis that Surrealism sought to foster — and which, in another instance of the school’s lack of originality, had originated and found its first and greatest expression in Dadaism — stagnated into armchair psychopathology and literary cliché, despite the dialectical injections of Marx and the restless young adherents’ formal, unofficial embrace of Communism. Pessimism and despair must always be stages, not goals. To stir and fertilize the spirit, they must evolve until they transform into successive affirmations. Otherwise, they remain mere pathological germs, doomed to devour themselves. Defying the brutal law of becoming, the Surrealists — I repeat — became academicized within their famous moral and intellectual crisis; they were powerless to transcend or overcome it through truly revolutionary — that is, destructive-constructive — forms. Each Surrealist did exactly as he pleased. They broke ties with numerous Party members and press outlets, acting in perpetual defiance of major Marxist directives. From a literary standpoint, their work remained characterized by an evident bourgeois refinement. Their adherence to Communism had no impact whatsoever on the meaning or essential forms of their work. For all these reasons, Surrealism declared itself incapable of grasping and practicing the true and only revolutionary spirit of the times: Marxism. Surrealism rapidly lost the sole social standing that might have justified its existence and began an irreversible decline.

 

The most curious aspect of Vallejo’s perspective is that he mistakes successes for errors and vice versa. The tactical error of Surrealism in joining the French Communist Party is offset by the achievement of immediately overcoming that misguided stance and breaking with it. I am not referring, of course, to communism in its essence — a subject that still warrants more detailed analysis — but rather to the party’s official line, that cancer which politics has never managed to eradicate. Be that as it may, Surrealism endures, and Vallejo’s words have become part of a moral folklore. Prior to that, Vallejo had published only once in Amauta: a brief excerpt from an unpublished novel.

My initial observation takes into account the respect Mariátegui himself held for Surrealism and the way he welcomed, for instance, Xavier Abril’s essays into the pages of his magazine. Also noteworthy is his broad understanding of political philosophy, exemplified by his seminal essay “Defense of Marxism”, which spanned several issues of the magazine in chapters that elucidated this philosophy without succumbing to a reductionist political perspective.

The magazine Amauta (1926-1930) was a pioneer in Latin America in opening space for thought, art criticism and political activism led by women. José Carlos Mariátegui understood that women’s emancipation was essential to social revolution and to the construction of a new Peruvian identity. Women were not merely occasional contributors; they served as art critics, essayists, poets and political columnists, challenging the conservatism of the era. In addition to Carmen Saco — whose three articles we include here — other intellectuals left their mark: Magda Portal, Dora Mayer, María Wiesse, Ángela Ramos and Blanca Luz Brum.

Writer and professor Sara Beatriz Guardia — director of the José Carlos Mariátegui Chair and founder of the Center for Studies on Women in the History of Latin America (CEMHAL) — encouraged us to prepare this edition of Agulha Revista de Cultura, dedicated to Amauta’s centenary. She herself contributed an essay discussing the key aspects that guided the magazine’s publication. In her most recent book, Mujeres de la Revista Amauta (2024), all articles by Peruvian, Latin American and European women writers that appeared in Amauta are published for the first time. The remaining articles were selected from the editorial scope of the 32 issues, highlighting some of its main themes.

For the visual setting of this edition, we are honored to feature Polish-French artist Bolesław Biegas (1877-1954). Sculptor, painter, writer and playwright, he began in Symbolism, moved through Art Nouveau, and later gravitated toward Cubism and Futurism after the 1912 Section d’Or Salon. He created a unique style he called Spherism — figures composed entirely of circles and spheres. He became renowned for his Symbolist portraits, depictions of vampires and femmes fatales, and sculptures with simplified geometric forms. He was part of the École de Paris. Notable exhibitions include the Salon d’Automne and the Société Nationale des Beaux-Arts (1912-1927), as well as regular shows in Warsaw and Kraków with the Sztuka group. In 1950 he founded the Musée Boleslas Biegas in Paris, housing his works and personal collection; the museum still exists today. Bolesław Biegas is the guest artist for this edition of Agulha Revista de Cultura.

 

Os Editores

 

∞ índice

 

ANATOLIO LUNATCHARSKY | El marxismo y el arte

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CARMEN SACO | Visiones del arte

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JORGE BASADRE GROHMANN | Elogio y elegia de José María Eguren

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JOSÉ CARLOS MARIÁTEGUI | Tres textos

https://arcagulharevistadecultura.blogspot.com/2026/08/jose-carlos-mariategui-tres-textos.html

 

JOSÉ MARÍA EGUREN | Motivos estéticos

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JOSÉ VASCONCELOS | El Nacionalismo en la América Latina

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SARA BEATRIZ GUARDIA | Cien años de la revista Amauta

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WALDO FRANK | Retrato de Charlie Chaplin

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XAVIER ABRIL | Difícil trabajo

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XAVIER ABRIL | Estética del sentido en la crítica nueva

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Agulha Revista de Cultura

CODINOME ABRAXAS # 13 – AMAUTA (PERÚ)

Artista convidado: Bolesław Biegas (França, 1877-1954)

Editores:

Floriano Martins | floriano.agulha@gmail.com

Elys Regina Zils | elysre@gmail.com

ARC Edições © 2026




∞ contatos

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