segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

CODINOME ABRAXAS # 10 – BLANCO MÓVIL (MÉXICO)

 

∞ editorial | O celeiro sutil das amizades

 


 01 | Na edição em que se comemora os 30 anos de existência de Blanco Móvil, Eduardo Mosches faz uma valiosa observação: Alguém disse que a criação literária envolve intercâmbios humanos; o escritor nunca pode desejar que seu pensamento não seja esperado, que não seja importante para os seres humanos com quem convive. E foi esse componente, o dos intercâmbios humanos, que me deu mais prazer pessoal ao dirigir a revista. Intercâmbios criados não apenas pela participação na divulgação literária, na leitura dos textos, mas também pela observação e pelo diálogo com inúmeros amigos e amigas poetas; e assim ter ido tecendo, sobre a própria pele da vida, a criação de um vínculo afetivo que nasceu a partir da palavra escrita, que se materializou em um vínculo de amizade, de irmandade aberta, de solidariedade; fato que, neste planeta habitado pela miséria, pelo egoísmo, pela violência das guerras, pelas fomes motivadas pelo comércio, pelas fronteiras vigiadas e militarizadas, este fato de criar laços de amizade baseados no desinteresse material, e apenas no interesse da difusão literária e artística, já é um pequeno respiro de puro oxigênio humano. 10 anos depois, quando agora completa sua 4ª década de vida ininterrupta, Blanco Móvil permanece tão jovem e vigorosa quanto em seu primeiro número, claramente acrescida de uma experiência editorial que radica, como desde o início, no mais intenso altruísmo, na decidida inclinação por um mundo compartilhado. O catálogo da revista encontra-se estruturado em três contas: as edições dedicadas à criação literária de países, os números dedicados a temas variados e o inquieto e singular editorial, que Eduardo Mosches batizou sempre de “Os primeiros passos”, escrito por ele mesmo. A cada número a revista também convida um artista plástico para que ilustre suas páginas. E o ritual de lançamento, sendo Blanco Móvil essencialmente uma revista impressa, é toda uma festa, onde convidados falam acerca de temas pertinentes a cada edição e logo se escuta uma música ao vivo que acompanha um coquetel. A outra particularidade da revista é que, em maior número, as suas edições são coordenadas por autores convidados que são conhecedores – por vezes até proponentes – do tema em questão. Deste modo, Blanco Móvil é hoje, a 40 anos de atividade editorial, uma dessas belas revistas de poesia e literatura em nosso continente que é merecedora dos mais justos elogios. Nossa homenagem, portanto, ao brilhante trabalho de Eduardo Mosches. A seu lado temos a artista francesa Nelly Sanchez (1974), com uma mostra ampla de suas colagens. A sua obra reflete uma busca incessante de mundos compartilhados, envolvendo o sonho e a vigília, dialogando com as perspectivas mais inusitadas da realidade. Como ela própria declara: Minhas colagens são uma continuação das minhas pesquisas acadêmicas sobre o romance feminino e a escrita feminina. Elas questionam os estereótipos relacionados ao gênero e, em particular, à feminilidade. Gosto de revisitar figuras da memória coletiva, mitos como Medeia, Eva, Melusina, Salomé… Apresento um universo sensual e perturbador que questiona os arquétipos femininos e masculinos transmitidos pela sociedade. Professora da Universidade de Limoges e especialista em literatura feminina francesa, Nelly é uma estudiosa de autores como Anna de Noailles, Georges de Peyrebrune, Camille Delaville, Daniel Lesueur, Renée Vivien, Rachilde e Colette, destacando aspectos ligados ao feminismo, sexualidade, animalidade e transgressão de gêneros. Para nós é uma honra contar com a sua presença como artista convidada desta edição da Agulha Revista de Cultura.

 


 02 | En la edición en la que se conmemoran los 30 años de existencia de Blanco Móvil, Eduardo Mosches hace una valiosa observación: Alguien ha dicho que la creación literaria supone intercambios humanos; el escritor no puede nunca querer que su pensamiento no sea esperado, que no sea importante para los humanos con quienes vive. Y ha sido este componente, el de los intercambios humanos, el que más placer personal me ha dado al dirigir la revista. Intercambios creados no solo al participar en la difusión literaria, en la lectura de los textos, sino al observar y dialogar con un sinnúmero de amigos y amigas poetas; y así haber ido tejiendo, sobre la propia piel de la vida, en la creación de un vínculo afectivo  que nació a partir de la palabra escrita, que se corporizó en vínculo amistoso, de cofradía abierta, de solidaridad; hecho que en este planeta habitado por la miseria, el egoísmo, la violencia de las guerras, las hambrunas motivadas por el comercio, las fronteras vigiladas y militarizadas, este hecho de crear vínculos de amistad basados en el desinterés material, y solo en el interés de la difusión literaria y artística, es ya un pequeño respiro de puro oxígeno humano. Diez años después, al cumplir ahora su cuarta década de vida ininterrumpida, Blanco Móvil sigue tan joven y vigorosa como en su primer número, claramente enriquecida con una experiencia editorial que se basa, como desde el principio, en el más intenso altruismo, en la decidida inclinación por un mundo compartido. El catálogo de la revista se estructura en tres secciones: las ediciones dedicadas a la creación literaria de los países, los números dedicados a temas variados y el inquieto y singular editorial, que Eduardo Mosches siempre ha bautizado como “Los primeros pasos”, escrito por él mismo. En cada número, la revista también invita a un artista plástico para que ilustre sus páginas. Y el ritual de lanzamiento, siendo Blanco Móvil esencialmente una revista impresa, es toda una fiesta, donde los invitados hablan sobre temas pertinentes a cada edición y luego se escucha música en vivo que acompaña a un cóctel. Otra particularidad de la revista es que, en su mayoría, sus ediciones están coordinadas por autores invitados que son conocedores –a veces incluso proponentes– del tema en cuestión. De este modo, Blanco Móvil es hoy, tras 40 años de actividad editorial, una de esas hermosas revistas de poesía y literatura de nuestro continente que merece los más justos elogios. Nuestro homenaje, por tanto, al brillante trabajo de Eduardo Mosches. A su lado tenemos a la artista francesa Nelly Sanchez (1974), con una amplia muestra de sus collages. Su obra refleja una búsqueda incesante de mundos compartidos, que involucran el sueño y la vigilia, dialogando con las perspectivas más inusuales de la realidad. Como ella misma afirma: Mis collages son una continuación de mis investigaciones académicas sobre la novela femenina y la escritura femenina. Cuestionan los estereotipos relacionados con el género y, en particular, con la feminidad. Me gusta revisitar figuras de la memoria colectiva, mitos como Medea, Eva, Melusina, Salomé... Presento un universo sensual e inquietante que cuestiona los arquetipos femeninos y masculinos transmitidos por la sociedad. Profesora de la Universidad de Limoges y especialista en literatura femenina francesa, Nelly es una estudiosa de autores como Anna de Noailles, Georges de Peyrebrune, Camille Delaville, Daniel Lesueur, Renée Vivien, Rachilde y Colette, destacando aspectos relacionados con el feminismo, la sexualidad, la animalidad y la transgresión de géneros. Para nosotros es un honor contar con su presencia como artista invitada en esta edición de Agulha Revista de Cultura.

 


 03 | In the issue commemorating Blanco Móvil’s 30th anniversary, Eduardo Mosches makes a valuable observation: Someone has said that literary creation involves human exchanges; writers can never want their thoughts to be unexpected, to be unimportant to the people with whom they live. And it is this component, that of human exchanges, that has given me the most personal pleasure in editing the magazine. Exchanges created not only by participating in literary dissemination, in reading texts, but also by observing and dialoguing with countless poet friends; and thus weaving, on the very fabric of life, the creation of an emotional bond that was born from the written word, which took shape in a friendly bond, an open brotherhood, solidarity; a fact that on this planet inhabited by misery, selfishness, the violence of wars, famines caused by trade, guarded and militarized borders, this fact of creating bonds of friendship based on material disinterest, and only on the interest of literary and artistic dissemination, is already a small breath of pure human oxygen. Ten years later, now in its fourth decade of uninterrupted life, Blanco Móvil remains as young and vigorous as in its first issue, clearly enriched by an editorial experience that is based, as it has been from the beginning, on the most intense altruism and a determined inclination towards a shared world. The magazine’s catalog is structured in three sections: editions dedicated to the literary creation of different countries, issues dedicated to various topics, and the restless and unique editorial, which Eduardo Mosches has always called “The First Steps,” written by himself. In each issue, the magazine also invites a visual artist to illustrate its pages. And the launch ritual, Blanco Móvil being essentially a print magazine, is a real party, where guests talk about topics relevant to each issue and then listen to live music accompanied by cocktails. Another unique feature of the magazine is that most of its editions are coordinated by guest authors who are knowledgeable –sometimes even proponents– of the topic in question. Thus, after 40 years of publishing, Blanco Móvil is today one of those beautiful poetry and literature magazines from our continent that deserves the highest praise. Our tribute, therefore, goes to the brilliant work of Eduardo Mosches. Alongside him is French artist Nelly Sanchez (1974), with a large selection of her collages. Her work reflects a relentless search for shared worlds, involving dreams and wakefulness, dialoguing with the most unusual perspectives on reality. As she herself states: My collages are a continuation of my academic research on the female novel and female writing. They question stereotypes related to gender and, in particular, femininity. I like to revisit figures from collective memory, myths such as Medea, Eve, Melusina, Salome… I present a sensual and disturbing universe that questions the female and male archetypes transmitted by society. A professor at the University of Limoges and a specialist in French women's literature, Nelly is a scholar of authors such as Anna de Noailles, Georges de Peyrebrune, Camille Delaville, Daniel Lesueur, Renée Vivien, Rachilde, and Colette, highlighting aspects related to feminism, sexuality, animality, and gender transgression. It is an honor for us to have her as a guest artist in this edition of Agulha Revista de Cultura.

Os Editores


 

∞ índice

 

ANDRÉ CISNEGRO | Transgresión para las masas

https://arcagulharevistadecultura.blogspot.com/2026/01/andre-cisnegro-transgresion-para-las.html

 

EDUARDO MOSCHES | Los primeros passos

https://arcagulharevistadecultura.blogspot.com/2026/01/eduardo-mosches-los-primeros-pasos.html

 

ETNAIRIS RIVERA | Trayectoria literaria contemporánea de Puerto Rico a través de sus revistas y antologías

https://arcagulharevistadecultura.blogspot.com/2026/01/etnairis-rivera-trayectoria-literaria.html

 

FLORIANO MARTINS & BERTA LUCÍA ESTRADA | Los avatares del poeta

https://arcagulharevistadecultura.blogspot.com/2026/01/floriano-martins-berta-lucia-estrada.html

 

FRANCESCA GARGALLO | La crisis de la utopía amorosa

https://arcagulharevistadecultura.blogspot.com/2026/01/francesca-gargallo-la-crisis-de-la.html

 

JORGE BOCCANERA | Ciudad y poesía: el vértigo y la soledad

https://arcagulharevistadecultura.blogspot.com/2026/01/jorge-boccanera-ciudad-y-poesia-el.html

 

JOSÉ ÁNGEL LEYVA | El Blanco Móvil de Eduardo Mosches

https://arcagulharevistadecultura.blogspot.com/2026/01/jose-angel-leyva-el-blanco-movil-de.html

 

MARGARITA AURORA VARGAS CANALES | Poesía para un Haití evanescente

https://arcagulharevistadecultura.blogspot.com/2026/01/margarita-aurora-vargas-canales-poesia.html

 

PAOLA VELASCO | El mundo en observación

https://arcagulharevistadecultura.blogspot.com/2026/01/paola-velasco-el-mundo-en-observacion.html

 

VÍCTOR DE LA CRUZ | Literaturas indígenas: sus géneros y críticos

https://arcagulharevistadecultura.blogspot.com/2026/01/victor-de-la-cruz-literaturas-indigenas.html


 

Nelly Sanchez




Agulha Revista de Cultura

CODINOME ABRAXAS # 10 – BLANCO MÓVIL (MÉXICO)

Artista convidada:  Nelly Sanchez (França, 1974)

Editores:

Floriano Martins | floriano.agulha@gmail.com

Elys Regina Zils | elysre@gmail.com

ARC Edições © 2026




∞ contatos

https://www.instagram.com/agulharevistadecultura/

http://arcagulharevistadecultura.blogspot.com/

FLORIANO MARTINS | floriano.agulha@gmail.com

ELYS REGINA ZILS | elysre@gmail.com

 




 

VÍCTOR DE LA CRUZ | Literaturas indígenas: sus géneros y críticos

 


A la memoria de mi amigo Gerardo Can Pat quien se distinguió como artista del género poético.

 

Voy a ocuparme de algunos problemas que se presentan cuando el ser humano y sus productos son enfocados desde distintas perspectivas, como son el arte y la ciencia. Mis preocupaciones sobre las relaciones entre las artes –e cuya rama literaria algunas veces he intentado colgarme– y las ciencias sociales –de cuyos recursos económicos ha dependido mi subsistencia– han nacido de la lectura de las obras de los científicos sociales: antropólogos, historiadores, lingüistas etc. Porque los artistas, a pesar de que son muy ególatras y en algunos casos megalómanos, también son bastante tímidos o de plano miedosos para acercarse a examinar el fenómeno científico desde una perspectiva artística. En cambio, la ciencia contemporánea –heredera del espíritu absolutista del positivismo que pretende explicar todo, incluyendo al hombre y lo que esta antes y después de él– muchas veces ha sometido a escrutinio y critica las obras de arte a través de sus disciplinas.

Uno de estos autores, quien ha examinado las obras de arte desde la disciplina antropológica, escribió en uno de los mejores libros sobre el tema, Arte y antropología, que su objetivo es intentar una aproximación decidida al análisis del fenómeno artístico como un hecho de valor universal, desde la perspectiva de la teoría antropológica y por consiguiente con el valor globalizador o totalizador que imprime la antropología a la mayor parte de sus enfoques.

El problema no es que las ciencias examinen al hombre y sus productos desde sus propias perspectivas y a partir de sus metodologías particulares, sino que a partir de éstas se pretenda descalificar los enfoques propios de las disciplinas artísticas, cuyos objetivos son muchas veces muy distintos a los que guían la actividad científica. Si fueran sólo estos los problemas entre ciencia y arte, tal vez no me preocuparían tanto; porque muchos investigadores con sobrada competencia profesional han de haberse ocupado ya de estos problemas. Mis preocupaciones nacen porque son precisamente las disciplinas con más carácter etnocentrista y cuyo origen es claramente producto del colonialismo occidental (como son la antropología y la lingüística) las que someten a critica los criterios propios de las literaturas indígenas.

No es una casualidad que esta discusión que estoy planteando se esté dando ahora. Hace mucho tiempo que las llamadas artes plásticas indígenas pagaron su cuota para entrar al escenario mundial en pie de igualdad al arte griego. Eso fue a partir del siglo pasado con el arte gético; posteriormente ingresaron al escenario y mercado del arte las obras de arte negro africano. Para mayor información sobre este asunto pueden acudir a varias obras; pero en este momento me conformo con remitirlos a las palabras de Salvador Toscano, tomadas de su libro Arte precolombino de México y de la América Central en cuya primera parte se puede leer lo siguiente: Histéricamente, la estética universal debió al romanticismo el descubrimiento de los estilos artísticos que no encajaban en el marco clásico.

Digo que no es una casualidad que esta discusión se esté planteando actualmente por nosotros, los indígenas indoamericanos, porque la emergencia de las literaturas indígenas escritas en alfabeto latino y la participación de los intelectuales indígenas en defensa de su propia identidad es reciente, al menos en el territorio de los Estados Unidos Mexicanos. Tengo entendido que estos fenómenos, y al parecer muchos están de acuerdo conmigo, aparecieron con la generación de la revista Neza, publicada a partir de 1935, por los binnizá, o zapotecos como hasta ahora son más conocidos.


En el caso de los nahuas, cuyo resurgimiento literario empezó con el rescate de la tradición oral recopilada por los colonizadores, según Alfredo López Austin: Hace tres décadas se discutía aún si los nahuas prehispánicos habían tenido literatura. Quienes lo negaban se apoyaban en que los nahuas no habían creado un sistema fonético suficiente para registrar en forma fiel el uso artístico de la lengua. Garibay K. fue el defensor de la literatura prehispánica; pugné entonces por la extensión del concepto de literatura hasta hacerlo capaz de abarcar toda manifestación artística de la lengua. Gané la batalla frente a una fuerte oposición, y el problema quedó zanjado en México. Eso fue respecto al pasado del ámbito prehispánico, porque en el presente la batalla la estamos ganando quienes escribimos en nuestra propia lengua, con la colaboración de nuestros aliados no indígenas.

Formalmente, pues, los géneros poéticos indígenas son artificios que se destacan del uso cotidiano de la lengua y que se relacionan con ciertos enclaves importantes de la comunidad. Esta composición en niveles varios de la lengua es lo artístico y donde radica el valor de lo literario. No analizo estos géneros, pues, desde el binomio oralidad-escritura, sino desde el uso común de la lengua (oral o escrito) y el artístico de la misma.

Superada la discusión de lo que, para nosotros, literatos indígenas, significa el término literatura, con las citas leídas, nos enfrentamos a otro problema: ¿son válidos los géneros que reconocemos en nuestras literaturas, tenemos que seguir las clasificaciones propias de la literatura ibérica o las que hace una teoría literaria con pretensiones de validez universal? En el capítulo titulado “El relato”, el autor de Los mitos del tlacuache plantea el problema de los géneros con meridiana claridad: La realidad de las peculiaridades se percibe desde distintas tradiciones y formas de conocimiento. Esto hace que se construyan géneros desde la teoría literaria y desde fuera de ella, con base en obras literarias de la propia cultura y con base en las de las culturas ajenas. Pero hay que ser muy claros. Puede haber altos niveles de discordancia entre las formas de percepción-construcción de la realidad.

Y ante semejantes situaciones u obstáculos, al parecer inesperados, el autor plantea una pregunta en tono alarmante: ¿Qué hacer ante una realidad literaria indígena que tiene una caracterización propia? Es decir: ¿qué se puede hacer ante quienes pretendemos darle validez ante clasificaciones de nuestra literatura? Creo que aquí es donde podemos intervenir, en nuestra doble calidad de creadores y teóricos de nuestra propia literatura, para aclarar la confusión de los antropólogos en un asunto literario. He aquí el desglose del asunto según López Austin:

 

El asunto que nos ocupa hace indispensable establecer la distinción entre dos concepciones de género: 1. Una predominantemente normativa y prescriptiva, a la que se puede suponer una calidad descriptiva considerable; concepción externa al investigador, pero propia de la tradición cultural creadora de la literatura mítica que estudia; pudiera llamársele género literario indígena. El género literario indígena, al ser normativo y prescriptivo se caracteriza por la incidencia sobre la misma realidad a la que se refiere; no sólo la caracteriza, sino que guía y regula su producción. 2. Una concepción del investigador, que parte de su propia teoría literaria, medio que ha de ser suficiente para describir y explicar grupos de textos (pertenecientes o no a su tradición) caracterizados por sus peculiaridades literarias; pudiera llamársele género literario teórico.

 

Con todo el respeto que le tengo al maestro López Austin, quiero expresar mi desacuerdo con él en este asunto: en toda lengua con literatura propia se presentan los dos tipos de géneros, el literario indígena y el literario teórico; porque ambos corresponden a distintos ámbitos de la actividad humana. Mientras el primero –el literario indígena– se presenta en el terreno del arte, de la creación literaria; el segundo –el literario teórico– se presenta en el terreno de la ciencia, se trata de una reflexión teórica sobre el primero, de una reflexión analítica sobre la creación literaria para agrupar las obras según sus afinidades y diferencias. El primero tiene como objetivo enseñar a los aspirantes a creadores en su lengua las técnicas apropiadas; es decir, como son las reglas establecidas por la tradición para que una obra cumpla ciertos fines en determinados contextos. De ahí su carácter normativo o prescriptivo: enseña a las jóvenes generaciones los moldes, las formas o como se hacen las obras de arte en su lengua cuando los aspirantes a creadores se encuentran en su etapa de aprendizaje; después los jóvenes, según su capacidad creativa, podrán quedar encerrados en los moldes aprendidos o podrán romperlos. Todavía recuerdo mis pretensiones literarias en la lengua española, en las cuales fracasé rotundamente, leyendo la Retórica y poética, literatura preceptiva, de Narciso Campilio y Correa, puesta al día, con notas y adiciones por Alfredo Huertas García. Esto es lo que Carlos Montemayor llama el arte de la lengua: El arte de la lengua responde a una necesidad de comprender o intervenir en el medio en que la comunidad vive y que tal respuesta asume modalidades reales, útiles. Sin su profundo sentido de religiosidad y sin su artificio técnico, quizás no se entender la función del arte de la lengua en el mundo indígena, como sería difícil entender, comparativamente, los poemas arcaicos griegos religiosos, base de la poesía lírica y dramática ulterior.


Por otra parte, el llamado género literario teórico lo desarrollamos cuando reflexionamos sobre la creación literaria en nuestra propia lengua. Por ejemplo, mi clasificación de la literatura contemporánea de los binnizá, en La flor de la palabra, es resultado de la aplicación de dos procedimientos metodológicos: uno histérico y otro etnográfico. Para reconocer la existencia de un género determinado me detuve donde coincidían los resultados de ambos métodos; por eso hubo uno que no registré, porque no sobrevivió en la literatura hasta el momento en que terminé la investigación, o al menos no puede documentaria. Se trata del género novela, el cual fray Juan de Cérdova registró en una entrada como “Novela o conseja para contar” y cuya traducción hizo como Tichacanitichaci, tichacoquite. A pesar de la descalificación de nuestras clasificaciones, no debemos desanimamos para intentar una reconstrucción de algunas de ellas, que en cierta manera han sobrevivido hasta nuestros días.

Con lo anterior quiero decir que lo normativo o preceptivo no está arrinconado en la literatura indígena, ni lo teórico esta acaparado por los otros. Ambas formas se presentan, en mayor o menor grado, en las distintas culturas, dependiendo de sus necesidades específicas o de sus grados de desarrollo. Más adelante, en el mismo capítulo, el autor de Los mitos del tlacuache plantea otras preguntas que enseguida contesta: ¿Qué utilidad puede tener para el etnólogo o para el historiador el conocimiento de clases construidas por una sociedad de tradición distante a la suya y desde perspectivas de conocimiento que no le son propias? Fundamos nuestro saber en nuestra propia teoría. Nuestros conceptos son las herramientas básicas al profesar nuestras disciplinas. ¿Podemos renunciar provisionalmente a nuestra concepción del mundo para aceptar por empatía concepciones pretéritas o ajenas? Tal ha sido la ilusi6bn de muchos pensadores; pero los resultados no han pasado de ser expresiones de la solidaridad de un extraño, hacia el pasado reconstruyéndolo desde el presente irrenunciable.

Esa es, en sus propias palabras, la posición de un extraño; pero no la nuestra. Yo no sé qué utilidad tenga, para un etnólogo ajeno a nuestras culturas, nuestras clasificaciones, pero sí sé para qué nos sirven: es nuestra manera de entender y explicar literariamente al mundo y al hombre. La clasificación de nuestros géneros parte de nuestras concepciones literarias; es decir, de nuestra forma de usar creativamente nuestra lengua, de ver y expresar la realidad humana y divina. Nuestra clasificación de géneros obedece a otros criterios y fines; pero eso no quiere decir que no podamos hacer elaboraciones teóricas de nuestra propia producción literaria o que éstas no tengan ninguna validez.

Por supuesto que no pedimos a etnólogos ni a historiadores ajenos a nuestras culturas que renuncien a sus concepciones y adopten otras pretéritas que les sean ajenas. Simplemente queremos decir que hay diferentes criterios de clasificación y que las clasificaciones indígenas tienen su causa, su razón de ser; que muchas veces, por desgracia o por fortuna, no coinciden con las de los científicos sociales ajenos a los de la propia etnia, o con fines artísticos exclusivamente. Unas y otras no necesariamente tienen que coincidir porque se construyen en esferas diferentes de la realidad, aunque unas estorben y otras descalifiquen.


La cuestión está en: a) si se encuentra uno fuera o dentro de la cultura para su análisis, b) si quiere hacer creación o teoría literaria y c) si es creyente o no en la religión o cosmovisión expresada por esa obra literaria. Dependiendo de la situación de la persona, ante las situaciones mencionadas, puede aplicar un criterio interno o externo, uno de| creador o del teórico u otro del creyente o no creyente. Para fines teórico-literarios podríamos comparar los mitos de creación narrados en el Libro del Génesis de la Biblia con los mitos de creación del Popol Vuh o los de nuestras propias culturas; sin embargo, para el cristiano, los bíblicos son sagrados, pero para nosotros no. Lo que es difícil de aceptar es que la normatividad literaria pertenezca a las culturas indígenas mientras que la teorización a los otros.

Creo, con esta ponencia, haber demostrado que no sólo somos capaces de crear literatura, sino también teorizar sobre la misma de acuerdo a nuestros propios criterios y a nuestras propias necesidades; es decir, podemos movemos en el terreno del arte y de la propia literatura. La función social de la literatura indígena está en crisis. ¿Cuál es la función social de la literatura en tiempos de crisis, como la que estamos viviendo actualmente en este país llamado Estados Unidos Mexicanos? A pesar del avance de la modernización mediante las tecnologías de procedencia occidental, la globalización de la economía capitalista con la caída de los regímenes llamados de socialismo real, los efectos de estos cambios en la vida cotidiana y las tradiciones de los pueblos indígenas; éstos resisten, no pierden las esperanzas de sobrevivir y fortalecer sus lenguas y sus culturas en las condiciones adversas. Sin embargo, esta esperanza y esta resistencia, cuando se razonan no son del todo infundadas: la reactivación de las luchas interétnicas en la ex URSS y en la vieja Europa y la rebelión de varios pueblos indígenas en el estado de Chiapas, en contra de la colonización iniciada por los europeos hace 500 años y continuada por sus descendientes criollos y mestizos, nos hacen pensar que el modelo globalizador y uniformador de culturas y lenguas está en crisis. Eso quiere decir que llegó el momento de ajustar cuentas con el modelo civilizatorio-colonizador occidental para abrir nuevas perspectivas a las minorías étnicas y, de esa manera, a sus formas de expresión literaria.

Si queremos pensar en la sobrevivencia de la literatura indígena tenemos que pensar primero en la sobrevivencia misma de los hablantes de las lenguas, en la necesidad de que los proyectos de desarrollo implementados por los estados nacionales permitan la sobrevivencia de los grupos indígenas, de sus proyectos de vida traducidos a proyectos políticos. El problema fundamental de las literaturas indígenas es, entonces, la sobrevivencia de las etnias mismas, que es lo que está en juego con la globalización del capitalismo mundial y como consecuencia de ésta con |a implantación del neoliberalismo en nuestro país; sin la resistencia de un proyecto alternativo de sociedad como lo era el socialista antes de la crisis de los países limados de socialismo real, o como lo ha planteado un teórico de las cuestiones étnicas: para la mayoría de las etnias indias de América Latina el problema fundamental en este periodo de su historia es el de su supervivencia física y cultural, por tanto, el de su definición como entidades culturales y nacionales especificas al interior de los espacios políticos y jurídicos de los estados nacionales constituidos. Antes de las cuestiones que se plantean en términos de desarrollo se encuentra este punto crucial de las posibilidades de permanencia de las etnias.

Si la función de la literatura oral indígena es la de preservar la memoria del grupo y la recreación de sus formas de vida en tiempos de relativa estabilidad social; en época de crisis la función de la literatura escrita, por los miembros de los grupos étnicos en peligro, todavía es más importante y útil en dos ámbitos: en el lingüístico y en el ideológico. Para apoyar nuestra afirmación sobre la función de la literatura indígena citaremos las palabras de T. S. Eliot, por tratarse de un gran poeta con una vasta experiencia en el espacio multiétnico y plurilingüístico europeo y de su propio país, Gran Bretaña: …La poesía puede en cierta medida preservar y hasta restaurar la belleza de una lengua; puede y debe también ayudara en su desarrollo, para que adquiera sutileza y precisión en las circunstancias más complejas y para los fines cambiantes de la vida moderna como tuvo anteriormente para servir a épocas más simples.

La restauración de la belleza de la lengua de que nos habla Eliot ayuda a los miembros de la etnia en crisis, desde la lengua y a fortalecer sus esperanzas para mantener su proyecto propio de vida hacia el incierto futuro. Y esto es mucho, porque el fortalecimiento ideológico de la identidad de los pueblos indígenas puede darles fuerza para cambiar su presente y construir proyectos políticos propios hacia el futuro, a pesar del proyecto civilizatorio uniformador occidental. Esta utopía me parecía muy lejana cuando me iniciaba en la tarea de difundir la literatura zapoteca a través de nuestra revista Guchachi’reza, porque el pensamiento criollo casi me había convencido de que a las etnias indígenas americanas se les habían agotado las energías para luchar por su sobrevivencia; pero, después de la rebelión indígena que se inici6 en Chiapas el primero de enero de 1994, mis esperanzas sobre el renacimiento de las literaturas indígenas mesoamericanas se han fortalecido y sólo es cuestión de esperar un poco más que haga erupción en todo México.




VÍCTOR DE LA CRUZ (México, 1948). Escritor zapoteco, nacido en Juchitan, Oaxaca. Es director de la revista Guchachi’reza (Iguana rajada). Cultiva los géneros de ensayo histérico, poesía namativa. Cuenta con los siguientes libros de poesía: Primera voz, Cuatro elegías y Jardín de cactus, además de otras publicaciones de ensayo. En 1993 obtuvo el Premio Nezahualcóyotl de Literatura en Lenguas Indígenas, convocado por el CNCA. El 25 de agosto de 2011 fue electo como miembro correspondiente, en Oaxaca, de la Academia Mexicana de la Lengua aml. Su discurso de ingreso trató sobre las literaturas indígenas. Como asesor colaboró en el Centro de Investigación y Desarrollo Binnizá, así como en el Centro de Investigaciones y Estudios Superiores en Antropología Social.




NELLY SANCHEZ (França, 1974). Doutora em Literatura Francesa, Francófona e Comparada, especialista em literatura francesa feminina, particularmente nas obras de autoras da Belle Époque. Editora crítica de títulos como L’Ange et les pervers, de Lucie Delarue-Mardrus,  Recueil de recettes des Belles Perdrix e coletâneas de obras epistolares. Nos últimos quinze anos, também trabalhou como artista de colagem e artista visual. Artista autodidata, suas obras são uma extensão de sua pesquisa acadêmica, questionando estereótipos de gênero, particularmente aqueles relacionados à feminilidade, revelando um universo feminino, surreal, estranho e, por vezes, bem-humorado. Assim como Frida Kahlo e Leonora Carrington, Nelly Sanchez brinca com os símbolos da representação feminina, utilizando imagens recortadas de revistas de moda feminina. O crédito de sua foto que publicamos é de Elizabeth Herman. Nelly é a artista convidada da presente edição de Agulha Revista de Cultura.

  



Agulha Revista de Cultura

CODINOME ABRAXAS # 10 – BLANCO MÓVIL (MÉXICO)

Artista convidada:  Nelly Sanchez (França, 1974)

Editores:

Floriano Martins | floriano.agulha@gmail.com

Elys Regina Zils | elysre@gmail.com

ARC Edições © 2026




∞ contatos

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FLORIANO MARTINS | floriano.agulha@gmail.com

ELYS REGINA ZILS | elysre@gmail.com

 




 

 

PAOLA VELASCO | El mundo en observación

 


I | De las muchas leyendas que aderezan la vida de Demócrito de Abdera –cuya parte de verdad histórica es difícil probar– Borges popularizó aquella de que se arrancó los ojos en un jardín para que las cosas del mundo no lo distrajeran del espectáculo que había en su pensamiento. En filosofía el debate es viejo: ¿nos engañan los sentidos haciéndonos tomar por real lo que es vana apariencia? Si las cosas no son más que las sombras danzantes de la caverna de Platón, lo que percibimos desvía al intelecto de la comprensión verdadera del mundo, sin duda; más en qué lugar de fantasmas nos obliga a vivir el idealismo extremo: separado el mundo visible del mundo inteligible, estorbado éste por la fugacidad y cambio continuo de aquél. La manzana de mi frutero parece existir, lo mismo la manzana que cuelga en el árbol antes de la cosecha; pero ninguna de ellas es la idea, la forma eterna y perfecta Manzana. Si yo o cualquiera la pretendemos real es por el error al que nos llevan los sentidos. Sólo las ideas pueden ser objeto de conocimiento verdadero y la percepción de sus sombras accidentadas –lo que podemos ver, oír, sentir– es doxa, mera opinión, el grado inferior de conocimiento por utilizar los sentidos y referirse al mundo sensible. El atomista Demócrito diría que nada existe excepto átomos y espacio vacío; todo lo demás son opiniones.

Que la percepción es el mejor instrumento de conocimiento y el único conocimiento válido es aquel que se basa en la experiencia originó la idea contraria. Una que conoció su cima en los siglos XVII y XVIII con las ideas de Locke, Berkeley y Hume, aunque consideramos más a Aristóteles, con su Nihil est in intellectu quod prius non fuerit in sensu (Nada hay en la mente que no haya estado antes en los sentidos), como el precursor sistemático del empirismo. Si bien la educación media nos ha acostumbrado a separar claramente las filosofías de Platón y Aristóteles, el estagirita contraría me nos de lo que se ha afirmado los principios de su maestro: acabará por tratar de probar la existencia de un mundo ideal en Dios, y no obviemos que a Platón también le interesaba el mundo concreto. Mas diciendo que toda la filosofía y la ciencia deben originarse en el conocimiento sensible, Aristóteles inserta las ideas, que para la escuela de Platón flotan en el vacío, en las cosas mismas de la realidad; esto, innegablemente, es la impugnación del idealismo metafísico e intelectualista del fundador de la Academia.

Del debate se desprenden las sabidas oposiciones: Platón creía que el alma nunca conocería la verdad sino hasta que la muerte la liberara de la cárcel del cuerpo sensible. También creía que las almas injustas volvían a la tierra y reencarnaban hasta alcanzar la perfección que las haría dignas del mundo de las ideas. El cuerpo con sus sentidos era, pues, condena y castigo. Aristóteles, por el contrario, pensaba al alma como el motor del cuerpo y a éste su guía en el camino del conocimiento. Al momento de la muerte el alma no sobrevivía al cuerpo, pero la nous inmortal permanecía como, imagino, algún éter flotando a placer por el espacio.

En la tierra no hay cosa que tenga un solo lado. Tampoco en la esfera de las ideas. Los contrarios, por irreconciliables que parezcan, nos entregan una visión un poco menos incompleta del mundo. Es meramente fútil que algunos se obstinen y defiendan a ultranza la mitad con que comulgan, que otros intenten conciliar lo que está separado o que duden incluso de la necesidad de divisiones, de la división misma, de los opuestos o de sus partes. Aunque pueda juzgarse el escepticismo de la frase anterior, lo cierto es que la duda originaria de estas líneas no termina: ¿es la razón o la percepción el instrumento del conocimiento? Si existen dos formas de conocer ¿es necesariamente la que obedece al logos –a la razón–, verdadera, mientras la que se apoya en los sentidos, falsa?

En dos teorías se expresan dos sensibilidades, dos maneras de pensar el mundo, que con frecuencia dividen a los hombres: los que prefieren sentir y los que ponderan pensar; los hedonistas y los estoicos; los que aman la Naturaleza y los que ven en ella el enemigo más terrible del hombre; los idealistas y los empiristas; los partidarios de la fe y los devotos de la ciencia. Lo mismo sucede con otros conceptos que marchan parejos, aunque disociados, en una eterna repetición circular formada de opuestos. Así viviéramos cien años, que doscientos o que un tiempo infinito veríamos las mismas oposiciones irreductibles, fundamentales, en el origen de toda discordia. Si en la circunferencia de un círculo se confunden el principio y el fin, y la Historia de los hombres es un círculo en movimiento constante, la comparación de un círculo actual con otro del pasado mostrará los mismos puntos, los mismos movimientos exactamente repetidos.

Antes que Descartes, el filósofo y médico español Gómez Pereira había escrito en su Antoniana Margarita (tan parecidamente que Voltaire acusó a su paisano de plagio): nosco me aliquid noscere, et quidquid noscit, est, ergo ego sum (conozco que conozco algo, todo lo que conozco existe, luego yo existo). Una de las dianas de Gómez Pereira era el magister dixit, empleado sobre todo por la escolástica, que daba autoridad incuestionable a los viejos maestros aun por encima de la experiencia y la razón; pero en el extremo de su empirismo, Gómez Pereira niega la distinción entre la facultad sensitiva y la intelectiva e identifica la posibilidad de sentir, de percibir, con la cualidad de pensar. Mi gato –que como todo gato observa disciplinadamente su propia filosofía (lo sabemos por Eliot) – piensa que Gómez Pereira se equivocaba en su razonamiento y que su argumento es sólo justificación de la impiedad con los indios de la Nueva España y con los animales: éstos, puesto que no pensaban, o no por lo menos con un pensamiento racional, tampoco veían, oían, olían, sentían, deseaban, sufrían o padecían ninguna otra cosa propia de un ser sensible. Además de las evidentes acusaciones humanitarias hechas a Gómez Pereira que desprestigia ron su trabajo durante mucho tiempo, alcanzo a entrever otro de los puntos f lacos que mi gato arguye en su contra: al decir que sentidos, pensamiento y conocimiento son la misma cosa, implica el silogismo inverso: en el mundo existe sólo aquello que se conoce y percibe mediante los sentidos y el intelecto es capaz de pensar sólo lo que los sentidos le dejan percibir.


Siglos después de Gómez Pereira, Berkeley formulará la ilustrativa y manoseada imagen del árbol en el bosque: si un árbol cae en medio de un bosque desierto y nadie hay que vea su caída, ¿puede decirse que existió el árbol?, ¿qué existió la caída?; ¿se produjo algún sonido si no hubo un oído que escuchara? Esta perplejidad ha dado por lo menos una ficción asombrosa cuyo final sostiene la existencia de un umbral que perduró mientras lo visitaba un mendigo y que se perdió de vista a su muerte. A veces unos pájaros, un caballo, han salvado las ruinas de un anfiteatro. (Como se ve, aquí nadie niega a los animales la capacidad de percepción; explicación de por qué mi gato prefiere a Borges sobre Gómez Pereira).

El ejemplo del árbol y su caída agotó mis pensamientos durante una adolescencia retraída y desdibujada que se escondió en suéteres amplios y cabello sobre el rostro aun cuando ignoraba que antes de Berkeley, Gómez Pereira y muchos otros, Protágoras ya había dicho: el hombre es la medida de todas las cosas, de las que son en cuanto son y de las que no son en cuanto no son, permitiendo con ello que fuese mi mirada la que creara el mundo y no que mi existencia dependiera de la percepción de nadie más: así, pasar inadvertida habría garantizado una calma que no se transforma ría en asfixia cuando pensaba si esta invisibilidad no era también garantía de mi desaparición social, racional, moral, incluso física. Sólo había vuelto a tener esos pensamientos en los vagones del metro, donde nadie mira a nadie, creando un tren lleno de fantasmas de sudor y angustias inexistentes.

 

II | Hace unos días pasé frente a una cochera en la que una mendicante anciana ciega tanteaba el piso con su bastón buscando la salida de lo que, en su mundo informe, adiviné una trampa. Era claro que para orientarse caminaba sobre la acera usando la pared de las construcciones como guía, y que el ángulo de la cochera abierta debió hacerle creer que llegaba a una esquina en la que dobló. Su desesperado bastoneo ofrecía un espectáculo desolador. Parecía, efectivamente, un ratoncillo encerrado en un laberinto, dando tumbos sin tino, retrocediendo, girando y alejándose de la invisible luz. La vejez y la ceguera la empequeñecían, la volvían titubeante, acrecentaban su soledad. Pensé cuánto tiempo tardaría en hallar la salida sin auxilio; el ojo ajeno sabía que se encontraba en una cochera, pero para ella ese recuadro de cinco por cinco metros debió ser el espacio vacío de una oquedad inmensurable.

¿Carecían de realidad para la vieja la puerta, las bolsas en el piso y la escoba en un rincón que claramente yo veía en el interior de la cochera? Sin ver ni tocar nada más que aire, ¿qué imágenes se habrán formado en su mente? Si era ciega de nacimiento no sólo la cochera, sino el resto del mundo le reportaba una imagen bien distinta a la que mi retina ofrecía a mi cerebro. Su mundo no era el mundo en el que yo vivía. Entonces vino Berkeley: si la anciana no puede verte, entonces tampoco tú existes. Me apresuré a encontrar los ojos de un transeúnte que dieran fe de mi existencia y con el valor recobrado, le espeté a Berkeley que, según su propia teoría, ahí estaba Dios, omnividente, para darme cuerpo y realidad con su mirada, creyera o no en Él.

Para la anciana entonces, en vista de que carecía de ésta, ¿no existía la cochera, ni yo ni ella misma? Aunque Descartes la habría convencido tautológicamente de que bastaba su pensamiento para atestiguar su realidad, cierta vanidad irresponsable –la misma que me hizo falta en la adolescencia por no conocer a Protágoras– me persuadió de que eran mis ojos los que otorgaban concreción a la cochera y a lo que había en su interior, incluida la anciana. La parte de vanidad no requiere mayor explicación: todos, desde Adán y Eva, queremos ser como dioses capaces de crear y negar existencias. La que toca a la irresponsabilidad sí: uno no debería andar creando espectáculos de indigencia y soledad como ése con la impunidad de una mirada.

 


III | Esaú fue el primero en conocer el valor de una lenteja. Dio a su hermano Jacob su primogenitura a cambio de un plato de éstas. En el Génesis el pasaje es irónico y en cierto modo despectivo hacia los edomitas, descendencia de Esaú –semejante a las bestias más que a los hombres por su aspecto peludo y su fuerza bruta– que pone en relieve a Jacob como símbolo de la astucia, como ejemplo del hombre sereno, amante del hogar. Al agreste Esaú no le sirve de nada la primogenitura, sí el alimento que repondrá sus fuerzas luego de la caza. Más próximo en temperamento a Jacob, el apacible Roger Bacon estimó tanto como Esaú las lentejas. Observó su forma biconvexa y dedujo de ella las propiedades amplificadoras de un cristal tallado a semejanza. En el germen de la lente que condujo a la versión moderna –la que permitió la invención del microscopio y el telescopio– de su etimología, incluso de su forma, se halla la desdeñada, insignificante lenteja.

La imputación que suele hacerse de conocimiento o inteligencia a quienes usan anteojos para mejorar su visión es un prejuicio cultural cuyas anclas se hunden en razones añejas, arrastradas de siglos muy anteriores, más allá de la evidente asociación entre un tipo de personalidad de ratón de biblioteca y los lentes. Es cierto que las primeras lentes creadas por el hombre no tenían como propósito amplificar las imágenes ni convertirse en una prótesis del ojo. Griegos, árabes y romanos utilizaban las lentes para cauterizar heridas y esferas de vidrio llenas de agua como la versión más antigua del encendedor. En su origen la lente está relacionada con el fuego. Casi todos lo descubrimos en la infancia al incendiar un montoncito de hojas secas o a una sociedad de hormigas usando los cristales de unos anteojos. El registro de la Historia presume que la primera lente fue construida por Aristófanes en el año 424 con un globo de vidrio soplado lleno de agua. Su creador, que menciona el invento en su comedia Las nubes, buscaba concentrar en él la luz solar. Imaginamos que una esfera de este tipo, contenedora de la fuerza del astro, estaba más próxima a ser un arma o un medio de condensación de la divinidad que un instrumento de visión.

Bacon mismo se concentró en el perfeccionamiento de los lentes porque consideraba indispensable que los ojos del cuerpo funcionaran al cien por ciento para que los ojos del alma pudieran comprender las escrituras, la obra de Dios y diferenciaran lo blanco de lo negro. Idea un tanto contraria a la de Mateo que afirma si tu ojo es para ti ocasión de pecado, arráncalo y tíralo lejos, y que Santa Lucía de Jerez acató obediente cuando se extirpó los ojos para evitar un amorío y envió los globos al culpable de su distracción. En el cristianismo hallamos también esta oposición fundamental, la misma que llevó a Demócrito a sacarse los ojos: por una parte, están los que creen que contemplar la obra divina, representarla y tratar de imitarla llevará a su mejor comprensión y homenaje; por otra, los que afirman que el mundo con sus visiones aparentes distraen al alma, que toda copia es in citación de los sentidos, desviación hacia el error, y que a la divinidad no se le puede representar sin que esto sea una pagana ofensa. De ahí las conocidas diferencias entre el arte de la iglesia de Lutero y la de Pedro; entre la grandilocuencia de la arquitectura y decorados de las catedrales católicas y las adustas construcciones protestantes, adornadas sólo por la luz.


Uno de mis mayores temores adultos es la ceguera. Cualquiera diría que es un miedo comprensible en alguien cuya actividad primordial y de la que obtiene el sustento consiste en leer y escribir. Pero ahí están los casos de Milton, Joyce y Borges –a cuya sombra me cobijo sólo para que me sirvan de ejemplo, no de comparación– para recordar que cuando la de terminación es auténtica ni ésta ni otra adversidad es insalvable. Temo, más bien, perder el mundo. Hay algo de cursilería en ello, sin duda. Mi ideal de retiro contempla una casita en un pueblo tranquilo donde mirar desde la ventana los cambios de luz, la sucesión de estaciones. Las congregaciones dedicadas a la vida contemplativa despiertan la mayor de mis envidias; me asombra hasta la admiración que Heráclito haya podido renunciar al trono para dedicarse a ella. Prefiero vivir en sitios altos con grandes ventanales desde donde observar el día. En suma, amo demasiado las sombras de la caverna como para resignarme a no verlas más.

En la tradición judeocristiana, el origen del mundo se funda en un solo hecho que desencadenará toda la Creación. Las tinieblas, los mares, la tierra, los cielos y la luz fueron creados porque Dios vio que era bueno. El hacedor se convirtió en el espectador de una obra que más tarde entregaría al hombre para el deleite de sus sentidos. Paradójicamente, en el mundo natural la mayoría de las criaturas nacen ciegas y muchas de ellas no alcanzan el sentido de la vista sino varias semanas de su –curioso término aquí– alumbramiento. El hombre mismo nace con los ojos cerrados, tarda algunas horas en abrirlos y pasa más tiempo aún para que su capacidad ocular alcance la perfección suficiente que le dejará diferenciar profundidad, colores, rasgos. Para suplir esta falta que hace vulnerable a toda criatura, el resto de los sentidos principia más afinado. Pero la vista no siempre alcanza todo su potencial. Malformaciones, maltratos o el solo tiempo que avanza deterioran el funcionamiento del ojo dejando entrar a la bruma, a las manchas, a la ausencia de colores o a la percepción de uno solo, a los bultos, a la aureola de indefinición que rodea los objetos hasta que la capacidad ocular termina atrofiada por completo. Tal vez haya algo de razón en Berkeley: para quienes necesitamos lentes como prótesis de nuestros ojos la mañana no comienza –porque la luz nada define–, los objetos son indescifrables plastas de colores mezclados y apenas distinguimos una mancha confusa del color de un rostro humano, hasta que colocamos los lentes sobre los ojos y descubrimos que, en efecto, aquel indefinido, inexistente borrón café, es el tronco de un árbol caído.




PAOLA VELASCO (México, 1977). Ensayista, narradora, traductora, poeta, editora, guionista y promotora cultural. Licenciada en Lengua y Literatura Hispánicas por la Facultad de Letras Españolas de la Universidad Veracruzana uv, realizó estudios de posgrado en Letras Latinoamericanas en la Universidad Nacional Autónoma de México unam. Se inició como editora en la Coordinación de Publicaciones del Instituto Veracruzano de Cultura ivec y en la Editora de Gobierno del Estado de Veracruz. Fue directora editorial del Programa Cultural Tierra Adentro en 2018.En el invierno de 2005 fundó, junto con los poetas mexicanos Pablo Molinet, Camila Krauss y Óscar de Pablo, la revista Pliego 16 (flm), de la que fue jefa de redacción y coeditora hasta 2009. Ha sido incluida en diversas antologías y participado en libros colectivos. Editó una muestra de literatura joven de México por el v aniversario de la flm. En 2017, preparó una antología poética de Alfonso Reyes para la Universidad Externado de Colombia uec. Ha sido guionista de programas culturales para internet y televisión como La dichosa palabra, Domingo 7 y Minotauro de papel, programa del que también fue co-conductora. Ha colaborado en Tierra Adentro, Este País, Revista de la Universidad de México, Casa del Tiempo, La Palabra y El Hombre, Archipiélago, Luvina, La Otra, Pliego 16, La Palanca, La Nave, Trilce, La Gaceta del Fondo de Cultura Económica, Laberinto y Confabulario, entre otras publicaciones periódicas.




NELLY SANCHEZ (França, 1974). Doutora em Literatura Francesa, Francófona e Comparada, especialista em literatura francesa feminina, particularmente nas obras de autoras da Belle Époque. Editora crítica de títulos como L’Ange et les pervers, de Lucie Delarue-Mardrus,  Recueil de recettes des Belles Perdrix e coletâneas de obras epistolares. Nos últimos quinze anos, também trabalhou como artista de colagem e artista visual. Artista autodidata, suas obras são uma extensão de sua pesquisa acadêmica, questionando estereótipos de gênero, particularmente aqueles relacionados à feminilidade, revelando um universo feminino, surreal, estranho e, por vezes, bem-humorado. Assim como Frida Kahlo e Leonora Carrington, Nelly Sanchez brinca com os símbolos da representação feminina, utilizando imagens recortadas de revistas de moda feminina. O crédito de sua foto que publicamos é de Elizabeth Herman. Nelly é a artista convidada da presente edição de Agulha Revista de Cultura.

  



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Artista convidada:  Nelly Sanchez (França, 1974)

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