sábado, 21 de fevereiro de 2026

CODINOME ABRAXAS # 11 – EL PEZ SOLUBLE (COSTA RICA)

 

∞ editorial | Quando as noites são abrigadas pela tempestade

 


 01 | Desde seu nascimento, em 2016, a revista El Pez Soluble vem demonstrando uma vitalidade impressionante, com suas edições bem cuidadas, as postagens diárias, o paralelo trabalho editorial com livros de boa qualidade, impressos e virtuais. Está escrito em seu portal na Net: El Pez Soluble tem como objetivo criar um espaço crítico além do acadêmico e do establishment, divulgar propostas literárias periféricas dentro da periferia, visibilizar as estéticas que estão à margem das propostas que dominam as editoras públicas e privadas, a mídia de massa, os prêmios e os festivais de poesia. Estamos interessados na outra poesia, aquela que não se esforça para ser uma mercadoria. Aquela que não se simplifica até se tornar uma mera expressão emocional do poeta. Com metas assim tão bem definidas, a revista vem cumprindo com todas elas, revelando jovens poetas, recuperando a memória de veteranos indevidamente esquecidos, tudo isto em um âmbito preciso e necessário: as vozes poéticas principalmente localizadas na América Central e no Caribe. É um trabalho brilhante realizado por seu grande bruxo, o poeta e designer Melvyn Aguilar (Costa Rica, 1966), que desde o princípio de El Pez Soluble reside em El Salvador, onde se destaca ainda como membro fundador da Editora FALENA e co-fundador do espaço para a conceituação na arte I:TALLER. Inquieto e solidário, é também o designer da EntreTmas Revista Digital, em Nova York, cuidando da beleza plástica da coleção “Livros Impossíveis” que essa revista mantém em parceria com a Agulha Revista de Cultura. Ao lado de Melvyn Aguilar, temos a presença de Josef Bubeník (República Tcheca, 1965), notável artista que nos foi apresentado pelo amigo e colaborador permanente de nossa revista, Jan Dočekal. Os dois artistas integram o grupo surrealista Stir up, na República Tcheca. Josef Bubeník estudou com o Petr Skácel e no ateliê de Jan Wolf, na Faculdade de Educação da Universidade Masaryk – Educação Artística. É membro da União de Artistas Plásticos e da associação artística BonusArt. Participou de diversas exposições coletivas na República Tcheca e no exterior, e organizou trinta exposições individuais. Trabalha principalmente como pintor, mas também se dedica à criação de cartazes e livros. A expressão artística de Josef apresenta muitas formas que se entrelaçam, tanto temática quanto temporalmente, e em termos de técnica. À primeira vista, pode parecer que ele processa suas inspirações artísticas de forma abstrata, mas ele próprio rejeita essa categorização, e gosta de dizer que tudo está conectado a tudo, razão pela qual um elemento não pode ser removido do todo sem que o elemento ou o próprio todo percam seu significado. Podemos observar tendências surrealistas e metafísicas nos desenhos e pinturas de Josef. Ele explora o inacessível aos sentidos e tenta capturar o incapturável. Recentemente, ele tem trabalhado em uma extensa série de pinturas de cristais. Para ele, estes simbolizam os registros da memória, memórias concentradas impressas na estrutura da matéria. As telas verde-esmeralda na parede brilham como se estivessem enviando uma mensagem sobre memória e recordações para o ambiente ao redor, a partir de seu centro. Nossos agradecimentos a Jan Dočekal, pois graças a ele Josef Bubeník é o artista convidado da presente edição da Agulha Revista de Cultura.

 


 02 | Desde su nacimiento, en 2016, la revista El Pez Soluble ha demostrado una vitalidad impresionante, con sus ediciones cuidadosamente elaboradas, sus publicaciones diarias y su labor editorial paralela con libros de buena calidad, tanto impresos como virtuales. En su portal en Internet se lee: El pez soluble tiene como fin generar un espacio crítico más allá de lo académico y el establishment, difundir propuestas literarias periféricas dentro de la periferia, visibilizar las estéticas que estén al margen de las propuestas que dominan las editoriales públicas y privadas, los mass media, los premios y los festivales de poesía. Nos interesa la otra poesía, la que no se afana en ser commodity. Esa que no se simplifica hasta ser una mera expresión emocional del poeta. Con objetivos tan bien definidos, la revista los está cumpliendo todos, revelando a jóvenes poetas, recuperando la memoria de veteranos injustamente olvidados, todo ello en un ámbito preciso y necesario: las voces poéticas localizadas principalmente en Centroamérica y el Caribe. Es un trabajo brillante realizado por su gran mago, el poeta y diseñador Melvyn Aguilar (Costa Rica, 1966), que desde los inicios de El Pez Soluble reside en El Salvador, donde también destaca como miembro fundador de la editorial FALENA y cofundador del espacio para la conceptualización en el arte I:TALLER. Inquieto y solidario, también es el diseñador de EntreTmas Revista Digital, en Nueva York, y se encarga de la belleza plástica de la colección “Libros imposibles” que esta revista mantiene en colaboración con Agulha Revista de Cultura. Junto a Melvyn Aguilar, contamos con la presencia de Josef Bubeník (República Checa, 1965), notable artista que nos fue presentado por nuestro amigo y colaborador permanente de nuestra revista, Jan Dočekal. Ambos artistas forman parte del grupo surrealista Stir up, en la República Checa. Josef Bubeník estudió con Petr Skácel y en el taller de Jan Wolf, en la Facultad de Educación de la Universidad Masaryk – Educación Artística. Es miembro de la Unión de Artistas Plásticos y de la asociación artística BonusArt. Ha participado en diversas exposiciones colectivas en la República Checa y en el extranjero, y ha organizado treinta exposiciones individuales. Trabaja principalmente como pintor, pero también se dedica a la creación de carteles y libros. La expresión artística de Josef presenta muchas formas que se entrelazan, tanto temática como temporalmente, y en términos de técnica. A primera vista, puede parecer que procesa sus inspiraciones artísticas de forma abstracta, pero él mismo rechaza esta categorización y le gusta decir que todo está conectado con todo, por lo que no se puede eliminar un elemento del todo sin que el elemento o el todo pierdan su significado. Podemos observar tendencias surrealistas y metafísicas en los dibujos y pinturas de Josef. Explora lo inaccesible a los sentidos e intenta capturar lo incapturable. Recientemente, ha estado trabajando en una extensa serie de pinturas de cristales. Para él, estos simbolizan los registros de la memoria, recuerdos concentrados impresos en la estructura de la materia. Los lienzos verde-esmeralda de la pared brillan como si estuvieran enviando un mensaje sobre la memoria y los recuerdos al entorno que los rodea, desde su centro. Nuestro agradecimiento a Jan Dočekal, gracias al cual Josef Bubeník es el artista invitado de la presente edición de Agulha Revista de Cultura.

 


 03 | Since its inception in 2016, El Pez Soluble magazine has demonstrated impressive vitality, with its carefully crafted editions, daily publications, and parallel editorial work with high-quality books, both printed and virtual. Its website states: El Pez Soluble aims to create a critical space beyond academia and the establishment, to disseminate peripheral literary proposals within the periphery, to highlight aesthetics that are marginalized by the proposals that dominate public and private publishers, the mass media, awards, and poetry festivals. We are interested in other poetry, poetry that does not strive to be a commodity. Poetry that is not simplified to the point of being a mere emotional expression of the poet. With such well-defined objectives, the magazine is fulfilling them all, revealing young poets, recovering the memory of unjustly forgotten veterans, all within a precise and necessary scope: poetic voices located mainly in Central America and the Caribbean. It is a brilliant work carried out by its great magician, the poet and designer Melvyn Aguilar (Costa Rica, 1966), who since the beginning of El Pez Soluble has resided in El Salvador, where he also stands out as a founding member of the FALENA publishing house and co-founder of the space for conceptualization in art I:TALLER. Restless and supportive, he is also the designer of EntreTmas Revista Digital in New York and is responsible for the visual beauty of the “Libros imposibles” collection that this magazine maintains in collaboration with Agulha Revista de Cultura. Alongside Melvyn Aguilar, we are joined by Josef Bubeník (Czech Republic, 1965), a notable artist who was introduced to us by our friend and regular contributor to our magazine, Jan Dočekal. Both artists are part of the surrealist group Stir up in the Czech Republic. Josef Bubeník studied with Petr Skácel and in Jan Wolf's workshop at the Faculty of Education at Masaryk University – Art Education. He is a member of the Union of Plastic Artists and the BonusArt artistic association. He has participated in various group exhibitions in the Czech Republic and abroad, and has organized thirty solo exhibitions. He works mainly as a painter, but also creates posters and books. Josef's artistic expression takes many forms that are intertwined, both thematically and temporally, and in terms of technique. At first glance, it may seem that he processes his artistic inspirations abstractly, but he himself rejects this categorization and likes to say that everything is connected to everything else, so that one element cannot be removed from the whole without the element or the whole losing its meaning. We can observe surrealist and metaphysical tendencies in Josef's drawings and paintings. He explores what is inaccessible to the senses and tries to capture the uncapturable. Recently, he has been working on an extensive series of paintings of crystals. For him, these symbolize memory records, concentrated memories imprinted on the structure of matter. The emerald green canvases on the wall shine as if sending a message about memory and memories to the surrounding environment from their center. Our thanks to Jan Dočekal, thanks to whom Josef Bubeník is the guest artist in this edition of Agulha Revista de Cultura. 

Os Editores

 

 

∞ índice

 

AMÉRICO OCHOA | Espiga entre los dientes – Un libro del poeta Carlos Calero

https://arcagulharevistadecultura.blogspot.com/2026/02/americo-ochoa-espiga-entre-los-dientes.html

 

ANDRÉ CRUCHAGA | El espejo como resurrección e identidad, el augurio revelado del anhelo definitivo – Sobre la poesía de José Siles González

https://arcagulharevistadecultura.blogspot.com/2026/02/andre-cruchaga-el-espejo-como.html

 

CRISTIÁN MARCELO SÁNCHEZ | La desacralización del lenguaje poético en la poesía costarricense de fin del siglo XX

https://arcagulharevistadecultura.blogspot.com/2026/02/cristian-marcelo-sanchez-la.html

 

ELYS REGINA ZILS | Las mujeres (desaparecidas) de Floriano Martins

https://arcagulharevistadecultura.blogspot.com/2026/02/elys-regina-zils-las-mujeres.html

 

JUANA M. RAMOS | La amistad y la colaboración literaria: Un viaje con Melvyn Aguilar

https://arcagulharevistadecultura.blogspot.com/2026/02/juana-m-ramos-la-amistad-y-la.html

 

MANUEL PUERTAS FUERTES | Tristan Tzara, un gran poeta por reivindicar

https://arcagulharevistadecultura.blogspot.com/2026/02/manuel-puertas-fuertes-tristan-tzara-un.html

 

MARGARITA DRAGO | No te mueras en Palermo, de Melvyn Aguilar y el derrumbe de las catedrales de la infancia

https://arcagulharevistadecultura.blogspot.com/2026/02/margarita-drago-no-te-mueras-en-palermo.html

 

MELVYN AGUILAR | El jing, la calma, la serenidad y el poder [Capitis – Cordis – Sexus] – Sunny intenta amansar una herida, de Juana M. Ramos

https://arcagulharevistadecultura.blogspot.com/2026/02/melvyn-aguilar-el-jing-la-calma-la.html

 

SAÚL GONZÁLEZ | La periferia de las vanguardias – Patrick Cotter conversa sobre su libro Suburbia

https://arcagulharevistadecultura.blogspot.com/2026/02/saul-gonzalez-la-periferia-de-las.html

 

VÍCTOR HUGO FERNÁNDEZ UMAÑA | El vigilante en el espejo: reescribir la historia desde la imaginación – A propósito de una novela de Guillermo Fernández

https://arcagulharevistadecultura.blogspot.com/2026/02/victor-hugo-fernandez-umana-el.html 

 



Josef Bubeník


Agulha Revista de Cultura

CODINOME ABRAXAS # 11 – EL PEZ SOLUBLE (COSTA RICA)

Artista convidado: Josef Bubeník (República Tcheca, 1965)

Editores:

Floriano Martins | floriano.agulha@gmail.com

Elys Regina Zils | elysre@gmail.com

ARC Edições © 2026




∞ contatos

https://www.instagram.com/agulharevistadecultura/

http://arcagulharevistadecultura.blogspot.com/

FLORIANO MARTINS | floriano.agulha@gmail.com

ELYS REGINA ZILS | elysre@gmail.com

 




VÍCTOR HUGO FERNÁNDEZ UMAÑA | El vigilante en el espejo: reescribir la historia desde la imaginación – A propósito de una novela de Guillermo Fernández



Recientemente me pregunto ¿por qué en los albores de mis casi setenta años de existencia, sigo leyendo narrativa con la pasión y el abandono emocionado con que lo hacía cuando crecía entre los cafetales de Tibás y las tardes veraniegas tirado sobre la ribera del río Virilla? La magistral nueva novela de Guillermo Fernández, titulada El Vigilante en el espejo, me confirma que cuando la voz narrativa se apodera de mi mente y captura mi atención, aquellos mundos que propone me seducen y controlan, convirtiendo la lectura en una obsesión de la que no soy capaz de desentenderme hasta alcanzar la última página. Y aún después de concluida, esa narrativa se queda conmigo y me acompaña en mi cotidianeidad, al punto que me descubro con frecuencia actuando y hasta pensando como los personajes de esa historia que recientemente ocupó mi tiempo, se apoderó de mi imaginación y me persigue incluso hasta en los sueños.

La buena narrativa tiene ese efecto de apropiación en mí, me ayuda a especular y suponer otros mundos, otras soluciones, otras acciones e incluso me lleva a envidiar y desear vivir la existencia de aquellos personajes que desfilan ante mi mirada asombrada de lector que, por un momento, se aparta de sí mismo para ser los otros, para odiar, amar, conspirar y hasta morir como mueren los héroes narrativos. A veces incluso me concibo como un héroe narrativo que me bajé momentáneamente de una historia y luego no supe regresar a su cauce.

La nueva novela de Guillermo Fernández me seduce y me atrapa pero no me sorprende, porque le he seguido los pasos a este autor desde que se inicia en la escritura como poeta hace poco más de cuatro décadas y desde entonces todo ha sido crecimiento, dominio y madurez que lo han conducido a exhibir la maestría narrativa que posee esta fascinante novela, suscrita por un autor de un pequeño país centroamericano, quien sin embargo se abre al mundo con una novela cuya temática se inserta en uno de los momentos históricos del siglo pasado que cambiaron el rumbo de nuestra existencia. Nos referimos a la segunda Guerra Mundial. Sin ser una novela histórica, son estos acontecimientos históricos los que sirven de escenario para las búsquedas espirituales y las pasiones desatas en esta novela.

Aunque siguiendo los laberintos de la memoria la novela discurre en un espacio temporal mucho más amplio, lo cierto es que el relato en sí tiene lugar en Nueva York durante los últimos diez o doce días del año de 1940, incluso asistimos al cambio de año y recibimos el 1941, leyendo las noticias sobre la invasión de los Nazis a Polonia, el bombardeo de Londres, el fantasma del comunismo que aterroriza a la seguridad estadounidense, incrementando el espionaje y la guerra sucia, y también los gérmenes del nuevo objeto de destrucción y transformación masivo, responsable del cambio mundial hasta nuestros días, como es la aplicación de la energía atómica con fines destructivos y de control político-militar. En medio de conspiraciones, espionaje, falsos perfiles y dobles personalidades, El vigilante en el espejo nos cuenta la vida del historiador Donald Shaw quien en medio del ajetreo de un momento de gran significación histórica vive y se tortura intentando poner orden en su pasado para con ello alcanzar la paz, si es que tal cosa existe mientras estamos vivos.


Sin ser un relato histórico, esta novela se inserta en un momento crítico de la humanidad para construir una historia de individuos en permanente búsqueda de su verdad, donde por momentos descubrimos que en ocasiones tanto las decisiones que toma la humanidad son tan erradas como las decisiones que un individuo asume en un momento de su proceso y que, años más tarde confirmarán sus errores de elección, mostrando a su vez cuán equivocadas pueden se nuestras vidas, apoyadas en decisiones que nos parecieron las correctas en su momento, pero con el tiempo resultan ser insuficientes, pues carecíamos de los valores o elementos necesarios para escoger con justicia. La vida es siempre incompleta y nuestras decisiones siempre se asumen a partir de componentes parciales, de hechos insuficientes, de lo cual se insinúa en el relato no somos capaces de darnos cuenta. Eso parecen sugerirnos los personajes de esta novela fascinante donde la acción narrativa tiene de todo: acción, misterio, pasión, crimen, espionaje y búsqueda espiritual, gracias a lo cual el relato nos mantiene atentos a cada salto de página.

Donald Shaw, el personaje principal de la novela, se graduó de historiador, pero en su vida nunca ha ejercido su oficio, sino que en su lugar ha sido chofer de taxi, empleado de una tienda para caballeros y finalmente se convierte en agente del FBI ,cuya vida se dedicará al espionaje y a las escuchas secretas de personajes que investiga, todos sumidos en una conspiración política donde la sospecha se impone sobre los hechos y la inocencia se vuelve irrelevante pues todos somos culpables de algo, solo hay que ser persistentes para llegar allí y desenmascarar las tramas detrás de las cuales se ocultan los conspiradores. Qué fascinante forma de darle actualidad al pensamiento humano encontramos en esta novela. Sin embargo, aunque Donald Shaw es el personaje principal de la novela, la voz narrativa predominante es omnisciente y no protagonista. No es ciertamente una novela contada en primera persona, aunque la voz dinámica y paso de un plano a otro con enrome fluidez.

Un novelista que conoce su oficio nos seduce siempre de primera entrada, cuando conocemos a su primer personaje de la historia que es el narrador. En él deposita el autor toda su confianza y le entrega los hilos de la historia. Es él quien nos invita a seguir en ese trayecto para nosotros incierto pero intrigante que es la historia misma a que nos enfrentamos. Es el narrador quien presenta el escenario donde ocurren los hechos y es también quien gradualmente va introduciendo los personajes que le dan movilidad a la acción narrativa. La maestría de Guillermo en el manejo de la estructura narrativa que en esta novela nos permite apreciar la forma en que, aunque se decanta por una presencia omnisciente a lo largo de la historia que nos presenta, conocedor además de lo mucho que se le critica a este narrador su imposible capacidad de conocer absolutamente todo lo que ocurre en el interior de sus personajes, quitando con ello a la novela su halo de posible “realismo”, entonces el autor nos propone un narrador omnisciente especulativo. Con ello queremos decir que en lugar de conocer lo que piensan los personajes, el narrador inventa un narrador que hemos llamado narrador Omnisciente Especulativo quien, aunque no conoce la interioridad de los personajes, se permite suponerla a partir de gestos y expresiones que capta en ellos, en sus momentos de acción. Se trata -insistimos* de un narrador omnisciente que además es especulativo, no lo sabe todo, pero lo supone y hace conjeturas. Así por ejemplo dice el narrador en un pasaje de la novela, pensando en lo que puede imaginar Donald Shaw: “Imaginó a Curtis, mientras tanto, que había entrado en la habitación de Circe y había dejado el regalo sobre su cama. Allí lo imaginó sentarse unos tres minutos y agitarse como un niño curioso sobre el colchón, como si estuviera en la zona más confortable del mundo. Lo vio arrojarse sobre la colcha y abrazarla y olerla, como un perro inquieto y fogoso. Luego lo vio incorporarse con alguna tristeza, como si tanta libertad en la habitación de Circe no le hubiera deparado más que un poco de vergüenza consigo mismo”. El narrador especula sobre lo que puede pensar un personaje en torno las acciones remotas de otro personaje, que no atestigua.


De esta forma, el narrador también especula sobre los presuntos diálogos que pueden ocurrir entre los personajes en su ausencia. En la novela existen acciones paralelas en que no son narradas directamente, pero se asumen mientras otros personajes ocupan la atención principal del lector. En algún momento aquellas acciones ausentes se hacen presentes de alguna forma, y es cuando el narrador especula sobre lo que pudo haber ocurrido o pudo haberse dicho en circunstancias oscuras o no iluminadas mediante los faros de la acción narrativa central. Sin embargo, esas acciones sobre las que se especula ocurrieron de cierta manera, son las que encargarán de hacer avanzar el relato, cuando de alguna manera se hacen presentes. Mediante rasgos o gestos de los personajes cuando aparecen, el narrador asume el estado anímico de esos personajes, debido al resultado de esas otras acciones paralelas. Esta parece irrelevante o imperceptible, pero es vital para entender la dinámica narrativa y la reacción de los personajes. Es además un gesto de maestría que muestra el control que posee el autor sobre los hilos narrativos y sus escenarios. Son formas casi simultáneas de jugar con el tiempo narrativo, tanto en el presente como en el pasado, que es un recurso al que viajen regularmente los personajes para recuperar componentes de su vida presente que ocurrieron tiempo atrás y que siguen tan activos como entonces, ya sea la muerte de un personaje como una acción juvenil que determina incluso el comportamiento sexual de un personaje en el futuro. El pasado y el presente forman parte de un hilo indivisible y coexisten ciertamente en el relato.

Se mueve la novela con gran comodidad entre la reflexión literaria y una historia en curso que le permite al narrador y a los personajes, especialmente a los personajes construir frases contundentes sobre la vida, el amor, la muerte, la verdad y gozar del respaldo que les permite el desarrollo de la historia, donde prevalecen la observación, el espionaje, el mirar al otro con disimulo e incluso especular sobre lo que dicen y piensan los personajes a partir de sus gestos, de sus expresiones, de pequeños grandes detalles como puede ser la mirada, o una ardilla furtiva atravesando el frío bosque invernal huyendo de sí misma y su nefasto destino, sin saberlo.

El escenario narrativo está exquisitamente presentado, la ajetreada vida neoyorkina en medio del clima navideño, los actores borrachos en las esquinas representando a un Santa Claus patético, los taxis envueltos en sus turbantes, conduciendo en medio del tráfico abrumador de una gran metrópoli, se siente el frío invernal y se incomoda el lector con las neviscas recurrentes que caen sobre los personajes y sus desplazamientos, abrigándonos mentalmente para protegernos de eso aluviones de pasión congelada y emoción desatada.

Las acciones de los personajes, sus equivocaciones inconscientes a lo largo de sus vidas, la visión errónea que podemos tener de ellos, nos llevan a preguntarnos ¿Cuánto podemos magnificar a una persona y seguirla toda la vida, manejando una visión errónea sobre lo que esa persona realmente podría ser y haber hecho en el pasado? Pero eso no nos interesa, y acabamos aferrándonos a la forma en que nos ha convenido mejor o aceptado retratarla. La vida parece ser así, siempre aferrados a erróneos conceptos que en su momento parecían verdaderos pero que la vida confirma luego cómo errores.


Así, sin idealizar demasiado tenemos que esta novela nos muestra personajes descompuestos, desarmados, llenos de rencor y envidia, personajes pesimistas… “No demuestres mucha alegría en ningún momento, nunca, porque lo que gobierna el mundo te la quitará y se mofará de ti en tus propias narices”, le dice un personaje a otro sobre la necesidad del control emocional frente a los demás, porque nuestra felicidad incomoda a los demás y provoca acciones de maldad. De hecho, en la novela pareciera prevalecer el hecho acerca de la conveniencia de saber lo menos posible de los demás, no sentir culpa, no condenar ni ensalzar a nadie, ocuparnos más de nosotros mismos, vivir al margen. Esta es una verdad literaria, que se aplica a la vida de la forma en que se concibe en la novela, no sugiere ni por asomo que debamos trasladar aquello a nuestras vidas… aunque no es para nada ocioso considerarlo.

Lo novela posee un excelente andamiaje literario, donde incluso existe la intertextualidad en momentos críticos, gracias a la mención de libros sagrados como el Bhagavad Gita para reforzar el pensamiento de algunos de sus personajes, reflejar su personalidad y sus búsquedas. Igualmente se apoya en versos de William Butler Yeats, para darle sustrato lírico y ensoñación poética a ciertas acciones críticas de la novela, donde personajes confiesan su amor y se apoyan en los versos de este poeta para darle raigambre a la abstracción sentimental. Y es por ello que un personaje dice en un momento de su discurso: “Cuando usted cree en lo que otro ser humano escribió, no importa en qué época, se establece una hermandad que arroja una flecha de fuego a través del tiempo y produce el renacimiento de todas las cosas”. He aquí los versos de Yeats convertidos en la flecha de fuego a través de los tiempos.

Ese renacimiento que brota en este fraile emocionado al leer y concluir esta novela rompedora que sin duda marca un antes y un después en nuestra narrativa, poniendo en el primer plano una novela y un autor que ha trascendido la localía, para convertirse en un acontecimiento de interés planetario, como son los acontecimientos que narra y la maestría espléndida con que lo hace.




VÍCTOR HUGO FERNÁNDEZ UMAÑA (Costa Rica, 1955). Se ha desempeñado desde muy joven como activista cultural y comunicador. Estudió Filología y Lingüística Española en la Universidad Nacional y Maestría en Literatura Comparada por la Universidad del Estado de Pennsylvania, Estados Unidos, donde se especializó en Literatura y Ciencia: De qué forma la Teoría de la relatividad modificó la literatura del siglo XX. Miembro fundador del grupo literario Sin Nombre. Fue director de la escuela de Danza de la Universidad Nacional y editor del suplemento cultural Ancora del diario La Nación. En poesía ha publicado Calicantos, Las siete partes en que antiguamente se dividía la noche, Escala en Santa Rosa y otros trenes, Genealogía de mi sombra, Canciones para un Minotauro, No todas las naranjas cantan igual, Dulces blasfemias, Cuando seamos ausencia, La vida que no estaba y Clarividencias/Second sight. En novela ha publicado Los círculos del cuerpo. En relato ha publicado con la EUNED La Reina del Ácido, bajo el sello World Graphics editores, publicó El amante y la chica depresiva (2018) y Los jardines olvidados (2022).
 



JOSEF BUBENÍK (República Checa, 1965). Artista. Miembro de la Asociación de Artistas Plásticos de las Tierras Altas (en la Unión de Artistas Plásticos de la República Checa), Asociación de la Bienal de Brno (SBB, con sede en Brno). Miembro del grupo surrealista Stir Up. Muchas otras actividades visuales y artísticas. Estudios: LŠU en Brno, en la escuela Petrov (con el pintor Petr Skácel), formación en artes plásticas en la Facultad de Bellas Artes de la Universidad Masaryk en Brno (profesor Leonid Ochrymčuk, doctorando Jiří Havlíček), consultorías privadas en la década de 1980 en los talleres del pintor Jan Wolf y del pintor Jánuš Kubíček. Artista invitado de la presente edición de Agulha Revista de Cultura.

  



Agulha Revista de Cultura

CODINOME ABRAXAS # 11 – EL PEZ SOLUBLE (COSTA RICA)

Artista convidado: Josef Bubeník (República Tcheca, 1965)

Editores:

Floriano Martins | floriano.agulha@gmail.com

Elys Regina Zils | elysre@gmail.com

ARC Edições © 2026




∞ contatos

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FLORIANO MARTINS | floriano.agulha@gmail.com

ELYS REGINA ZILS | elysre@gmail.com

 




 

 

SAÚL GONZÁLEZ | La periferia de las vanguardias – Patrick Cotter conversa sobre su libro Suburbia

 


La cita es puntual. Ubico fácilmente la casa. No hay problema con la dirección que días atrás me había sido proporcionada por él mismo. Los términos de la entrevista fueron pactados fácilmente: su primer libro Suburbia es el punto medular. Tema que inevitablemente conlleva atravesar por el poeta y su visión de la poesía. Es la hora y fecha pactada. Toco el timbre del intercomunicador con duda: ¿habrá olvidado nuestro encuentro? Imposible. De forma inmediata escucho su voz. Nos esperaba. La recepción es seria, casi formal. Rápidamente ingreso al interior de la casa. Es amplia, elegante y sobria. El poeta dispone la mesa del comedor para nuestro encuentro. Mientras es colocada la cámara de video, realizo algunos comentarios para romper el hielo. Compartimos el Derecho como profesión. Me valgo de ese detalle para iniciar la plática. Patrick Cotter es abogado de 47 años. Pero primero fue y es poeta. [SG]

 

SG | Usted publica muy joven. Descríbanos aquel Patrick Cotter que llega a publicar con tan solo 18 años.

 

PC | A los 17 años entré a Estudios Generales de la UCR y de casualidad en la cooperativa de libros que había en ese tiempo, compré los manifiestos surrealistas de André Breton. Los leí, y para mí fue fascinante ver cómo se podía hacer poesía de manera radicalmente diferente a lo que hacía la tradición histórica más conocida. Este libro me impulsó a escribir poesía de manera espontánea a los 17 años. En ese tiempo tuve de profesor de Estudios Generales a Carlos de la Ossa y a María Gabriela Chavarría. Ellos lograron que yo me tomara en serio mi poesía, me dieron mucho impulso. En ese año, 1986, era el 50 aniversario de la muerte de Federico García Lorca. Entonces se convocó a un certamen de poesía alusivo a Federico García Lorca, en la UCR, que abarcaba las demás universidades. Yo tomé el material de poesía que tenía trabajado y lo adapté como un homenaje a García Lorca. Este material conforma una parte de Suburbia que se llama “La cifra verde”. Esta poesía ganó el primer lugar en el certamen. Ello me abrió muchas puertas. Publiqué un par de veces en una revista. También, en la sección Áncora de La Nación salió publicada en ese año la poesía que había ganado aquel certamen. Yo seguí escribiendo poesía. En el año 87, rápidamente, tenía bastante material y me di cuenta que ya estaba en condiciones de pensar en una publicación. Suburbia, lo trabajé mucho. Los poemas los corregí muchas veces. Traté de hacer un todo coherente. Revisé las pruebas, cada aspecto Patrick Cotter del libro. La tecnología no era como ahora y había que estar viendo los levantamientos de texto. Ver que se hicieran esos quiebres vanguardistas que no son versos típicos, sino una manera tipo Apollinaire de concebir la poesía en la hoja en blanco. Entonces logré el patrocinio de la Casa Presidencial para publicar el libro en la Imprenta Nacional. Yo iba con frecuencia a la imprenta para ver lo que hacían. Escogí la portada y muchas otras cosas. Finalmente el libro salió publicado en noviembre del 87, precisamente con un prólogo de María Gabriela Chavarría y de Carlos de la Ossa. Al año siguiente volví a ganar un certamen. Obtuve el primer lugar con poemas que aparecen en mi segundo libro. Suburbia es un libro que no es apreciado por el sesenta por ciento de los lectores, sobre todo si no son poetas. No lo saben apreciar porque dicen que no lo entienden. Pero con ese “no lo entiendo” estamos mal porque la poesía no es un entendimiento mental o cerebral únicamente, sino que hay que abrir el corazón y las emociones para lograr ese disfrute del hecho poético. No puede hacerse como resolver un crucigrama. Es completamente diferente. Pero hubo personas que sí supieron disfrutar el libro y les encantó. Hablo por ejemplo de Mario Picado, padre de Lil Picado. A ella la menciono porque la obra Fuego y Sombra de 1986 de Luis Carlos Vásquez, basada en textos de Lil Picado, se hizo en el Teatro Nacional con un despliegue escénico impresionante para conmemorar los cincuenta años de la muerte de García Lorca y sin duda presenciar ese espectáculo fue un estímulo para Suburbia.

 

SG | A parte de André Breton, ¿qué otras lecturas te formaron como poeta?

 

PC | Sin querer sonar prepotente y guardando las distancias, voy a hacer una comparación. Arthur Rimbaud, poeta francés, escribió toda su obra entre los 17 y los 20 años. En esa época el absorbió cultura y publicó sus libros. A mí, como un ejemplo tercermundista, guardando las distancias, me pasó igual. Yo entre los 17 y los 20 años aproximadamente, me tomé la poesía muy en serio. Y para escribir buena poesía hay que leer mucha poesía. En eso creo yo. Yo señalaría a Guillaume Apollinaire, Mallarmé, Rimbaud, Verlaine, Conde de Lautréamont. Estoy empezando con la poesía francesa que es la que más me gustaba en esa época. Pero hay otras lecturas como Allen Ginsberg de Estados Unidos, sin duda; el mismo García Lorca, especialmente con Poeta en Nueva York que fue la obra que más me gustó de él. Las lecturas que yo hice en ese entonces para formarme como poeta, eran diferentes a lo que otras personas en el medio estaban leyendo. A mí por amor a primera vista me gustó la poesía francesa clásica. Poesía que no solo conformó el surrealismo, sino vanguardismos que venían desde el siglo XIX. También el dadaísmo que se dio en Europa después de la primera guerra mundial. Ahí hablaría de poetas como Tristán Tzara. Los manifiestos Dada me impulsaron igualmente. Considero que Suburbia es de una influencia predominantemente francesa. También debo mencionar a Vicente Huidobro, un referente importantísimo de América Latina. Es curioso porque mucha gente sabe de Pablo Neruda, pero no sabe nada de Vicente Huidobro; sin embargo, para mí Huidobro es mucho mejor que Neruda. Aquí nuevamente se repite el fenómeno de las influencias diferentes a lo que el medio estaba leyendo y publicando con base en esas lecturas. Hubo una transformación de la inspiración de esas lecturas en una poesía original.

 

SG | ¿Te ha interesado escribir narrativa?

 

PC | No. He tenido algunas ideas para hacer novelas cortas. Tengo una idea dándome vuelvas para una novela que voy a llamar El evangelio según la serpiente. Básicamente plantea que Adán y Eva cuando comen la fruta en el paraíso, lejos de sentirse avergonzados, de ocultar su desnudez ante un Dios que los castigaba, ellos más bien, todo lo contrario, sentían que habían adquirido una dignidad. La humanidad fue como dios. Se sintieron llenos de asombro ante la situación, fabricaron sombreros en el paraíso como señal de distinción, por haber logrado una conquista para la humanidad. Sería un libro donde hay más humanismo que la creencia en un dios. Se resalta la parte humanista con una lectura diferente del paraíso bíblico. Esta es una de las ideas que he tenido, entre otras. Pero me sigue gustando más la poesía.

 

SG | ¿Crees que hay algo especial en la mente de un poeta, diferente a escritores de narrativa?

 

PC | Las barreras entre un género literario y otro son muy porosas y a veces cuesta distinguir esos puntos. Por ejemplo, Las Iluminaciones de Rimbaud son escritas en prosa. Pero es poesía pura. Ernesto Cardenal escribe poesía y lo que escribe, a pesar de tener una forma poética, es sumamente prosaico. Sin que esto le quite validez a la obra de Cardenal. Podemos hablar también de José Coronel Urtecho, de Nicaragua. Sin duda la mentalidad poética es más espontánea, más emocional, menos racional que el aspecto narrativo. Hacer una novela es completamente otra cosa a hacer un poemario, para mí son muy diferentes. Pero como le digo, no establezco una barrera. Sino que considero que hay zonas grises entre los géneros literarios. Por ejemplo, durante la década de los 90 yo publiqué tal vez unos treinta artículos en la página de opinión del Semanario Universidad, donde estaba Carlos Morales en ese tiempo. Algunos lectores me decían que eran demasiado líricos. Porque yo escribía sobre política, sexualidad u otros temas y terminaba metiendo imágenes metafóricas, poéticas, en lo que era un ensayito para un semanario. Inclusive el ensayo puede tener elementos líricos. A mí me pasó de manera espontánea.

 

SG | ¿Cuál fue tu experiencia con los talleres literarios?

 


 PC | María Gabriela Chavarría fue un referente a mis 17 años. Yo me tomaba muy en serio lo que ella me aconsejaba. Ella me dijo que para un poeta no era bueno estudiar filología y tampoco eran buenos los talleres porque, según ella, el medio literario costarricense estaba lleno de situaciones problemáticas. No quiero entrar en mucho detalle sobre eso, son patologías que se pueden presentar a nivel humano como fruto de la literatura. Hay muchas personas que al convertirse en poetas o en narradores reconocidos en el medio, tratan de reproducir en su vida privada, la vida que llevaban sus ídolos. Entonces si Rimbaud era un desastre con su vida personal, la persona que tiene a Rimbaud como referente imita la vida de Rimbaud. Ahí hay un gran error. Yo considero que perfectamente se puede escribir poesía valiosa y llevar una vida equilibrada. Creo que ese es un error de mucha gente en el medio y que María Gabriela Chavarría me lo apuntó desde muy temprano.

 

SG | ¿El poeta llega a asumir un personaje?

 

PC | Sí. Pero más importante que el personaje es el destinatario. Inclusive la poesía y los ensayos en el Semanario Universidad no iban dirigidos a todo el público, iban dirigidos solo a un sector. Entonces Suburbia es muy leído por los propios poetas de Costa Rica, pero ese libro no es apto para que lo cultive mucha gente. Entonces yo pensaría en que de manera inconsciente uno establece quienes van a ser los lectores, o por lo menos a quién va dirigido el libro. En cuanto a lo del personaje yo lo interpreto de varias formas. Por ejemplo, Mauricio Molina, un poeta destacado, creó un personaje rumano, ahorita no recuerdo el nombre. Era un elemento ficticio que fue un elemento dinámico para la publicación de sus libros de poesía. Una especie de avatar poético. Pero en cuanto a qué personaje es el poeta, yo creo que el poeta puede verse como un médium. Porque en el sentido ideal el poeta está escribiendo porque siente que hay una fuerza que lo atraviesa mental y físicamente, y escribe tal como si fuera una sesión espiritista. En mi caso eso se logra, sin necesidad de consumir alcohol ni drogas. Hay muchos poetas que para lograr esos estados de médium recurren a las drogas; y ahí viene el problema de que empiezan a reproducir la vida de sus referentes de la década de los sesenta. Los de Estados Unidos, para citar un ejemplo. Y se están haciendo daño a sí mismos y eventualmente a su propia obra.

 

SG | Volvamos al tema de los talleres

 

PC | En Suburbia no hubo ningún taller. Mi experiencia con talleres es 10 del año 1994. En el año 1993 Alejandra Castro que estaba buscando hacer un taller, me buscó, me dijo que la ayudara con el proyecto. El proyecto tuvo su primer recital en enero de 1994. Este grupo, Octubre Alfi l Cuatro, se integró por mucha gente que ha seguido publicando. Fue un taller con una producción bastante buena. Pero también era una época joven para todos, que la vivimos intensamente todos alrededor de la literatura. En este taller estuvo Meritxell Serrano, que ha publicado dos libros de poesía, Mauricio Molina; de manera un poco tangencial Alexander Obando, Juan Murillo, la misma Alejandra Castro, Melvyn Aguilar, Natalia Esquivel, Sandra Zúñiga, Claudio Sánchez, David Maradiaga, Esteban Ureña y Diego Montero. Estaba Eugenia Bochin, la pareja de Juan Carlos Murillo, a quien le interesaba la parte de las editoriales. Éramos un grupo de por lo menos 10 ó 12 personas. Se me escapan nombres que no recuerdo. Yo participé de manera intensa entre enero y octubre del 94. Luego me distancié. A este taller llegaba Virginia Grutter. Los recitales los dábamos en los centros culturales de las embajadas. Lo cual puede sonar elitista o cosmopolita, pero fue una facilidad que tuvimos y la aprovechamos. Sin desmerecer otros espacios como un bar que quedaba al final de la calle de la amargura. Se nos abrió la puerta del Centro Cultural Español, con Clara Ballesteros. También dimos un recital en el Instituto Goethe. Estuvimos en el Dante Alighieri de la Embajada de Italia y el Centro Cultural Mexicano. Los agregados culturales de las embajadas nos dieron apoyo para sacar pequeñas antologías y la logística de los recitales.

 

SG | ¿Cuál consideras que es el aporte de un taller literario al escritor?

 

PC | Puede ser positivo, neutro o negativo. Todo depende de la situación. El taller es un espacio de diálogo humano, lírico, de retroalimentación, en ese sentido impulsa mucho la cohesión del grupo y la producción de cada persona. También puede ser que alguien tenga un poema excelente y las personas que lo leen no lo aprecian en lo absoluto. Y esto no desmerece al poema que puede ser muy bueno. Estos fenómenos se dan. También hay aspectos psicológicos. Hay personas que se llevan mejor entre ellos. Hay subgrupos. Toda esta dinámica existe. Lo que si sería destructivo es que el grupo literario se dedicase a tomar cerveza como parte del proceso, por decirlo suavemente. Por no decir otro montón de cosas que son mucho más destructivas. Entonces yo creo que el taller puede aportar o puede quitar, dependiendo del ángulo que lo veamos.

 

 SG | ¿Para Patrick Cotter cómo se construye un poema, qué elementos son imprescindibles?

 

PC | Hablemos del tiempo de Suburbia: un bombardeo metafórico intenso, sin tregua, pasando de metáforas con inspiración en el surrealismo que dice que la belleza yace en lo maravilloso. Es una construcción de metáforas insólitas, una cascada de metáforas que se integran en otras, que se transforman, que van haciendo un juego, pero que a la vez van construyendo un relato o una estructura de los versos que aparece casi de manera espontánea. La construcción, en el caso mío, es que muchas veces me sentaba a escribir un poema sin tener de manera delimitada el objeto sobre el cual versaba el poema. Por ejemplo, Pablo Neruda siempre escogía un tema y trabajaba sobre ese punto. Pero yo al escribir poesía muchas veces me lanzo a escribir sin haberme puesto una camisa de fuerza. Ahí sale un poema que es como una súper nova metafórica, al menos en los momentos mejor logrados, el poema no tiene límites preestablecidos. Como es el caso de Altazor, que es el poema más conocido de Vicente Huidobro, donde pasa este mismo fenómeno que cuento ahorita. Posterior a aquel tiempo de Suburbia, yo hice un viaje de un mes a España. Fui con la poetisa Lil Picado en el año 88, con 19 años, y me dediqué a escribir poesía en lugar de tomar fotos o comprar guías de viajes. Escribía y escribía en los trenes. Cuando llegué a Costa Rica, le mostré ese material a Isaac Felipe Azofeifa. Me dio un libro de Coronel Urtecho y me dijo que yo escribía igual que él. Entonces, ya mi poesía se había transformado. Se parecía un poco más al Cántico Cósmico, de Cardenal, que a la influencia francesa que estuvo en Suburbia. Esta poesía escrita en España, conforma el último capítulo de Rosa Arcana, que es el otro libro que tengo publicado. Pero ahí cambió completamente la manera de escribir. Luego en el año 95 ó 96, empiezo a escribir porque a mi pareja de algunos años, le dio un cáncer muy agresivo. Entonces yo utilizaba la poesía como un elemento terapéutico, pero eran poemas para mí mismo. Pero esos poemas se fueron en la llave maya que le di a Felipe Granados y a Carlos Aguilar. A ellos les encantaron esos poemas que yo nunca revisé, que eran poemas para mí mismo y los pusieron al principio de Rosa Arcana. Yo los quería matar, pero lo hecho, hecho está. Como dice Alexander Obando, si un libro es el hijo de uno, no se le tienen que estar disculpando los defectos todo el tiempo. Hubo una evolución muy grande. Yo no podría escribir otra vez como lo hice entre los 17 y los 20 años. Porque en esa adolescencia me tomé muy en serio y de manera maniática lo que estaba haciendo. Pero luego se perdió ese impulso. Era una obsesión, positivamente hablando. Era una inspiración grande, continua, no solo de escribir, sino de leer simultáneamente. Eso marcó que el libro (Suburbia) es diferente a otras producciones, porque las lecturas son otras.

 

SG | ¿Qué significa tomarse la poesía muy en serio?

 


 PC | Entre los 17 y los 20 años con la pasión que tenemos los jóvenes a esas edades, yo leía poesía de una manera voraz. Compraba de todo, leía de todo. El detonador fueron los manifiestos surrealistas de Breton. Tomarse la poesía en serio es vivir la poesía día a día, leer todos los días, escribir todos los días, trabajar sobre los textos, pulirlos, revisarlos cincuenta veces, cambiarles palabras, hacer recortes. Eso yo lo hice con Suburbia. Por ejemplo, al poema que le da nombre al libro, le hice motones de cambios. O sea, este libro es bastante artesanal, en el sentido de que es trabajado. En el caso de Rosa Arcana hay partes que también son sumamente depuradas o trabajadas. Como es el caso de la poesía escrita en España, que se llama “Alhambra Iluminada”. Ese poema salió en el “Áncora” en el año 1990. Además “Claveles de Acetileno” que ganó un certamen, obviamente también es muy trabajado y para mí es de lo mejor de ese libro. Pero hay poemas en Rosa Arcana que no están suficientemente trabajados. Pero a una persona cuando de joven se le despierta la sensibilidad cultural, eso lo va a acompañar toda la vida. Yo diría que tomarse la poesía en serio implica hacerse un horario todos los días para escribir. Así de manera planificada escribe. Lo mismo con la publicación. Carlos de la Ossa decía que había que publicar y publicar. Pongo el caso de Esteban Ureña. De él no sabíamos nada. Estudió filología y de pronto hace unos cinco o seis años, en un grupo que nos reuníamos en su casa, Alexander lo convenció para que leyera algunos de sus poemas. Él estaba todo apenado con eso; y la sorpresa fue que ganó el premio Aquileo J. Echeverría el año pasado, porque se atrevió a publicar. Aunque prácticamente tuvieron que forzarlo para que lo soltara y resultó ser tan bueno que ganó el premio nacional. Hay gente que escribe y no se lo muestra a nadie.

 

SG | ¿Tienes hoy en día una visión diferente de la poesía?

 

PC | Cuando yo escribí Suburbia yo percibía que la humanidad veía en los poetas, en los artistas, en los narradores y en los filósofos también, algo elevado que daba distinción y que señalaba derroteros utópicos, en el buen sentido de la palabra, para el futuro de la humanidad. Hoy en día, quizá suene fatalista, pero yo veo la cosa muy diferente. Me parece que en el mundo hoy, la filosofía y la poesía ya no son ese norte. Más bien son pisoteadas por el hombre alfa, por la mujer alfa que el neoliberalismo globalizado ha producido. Ya no se valora la sensibilidad de las personas, sino que se valora que tan fuertes y rudos pueden ser. Entonces, tristemente, la poesía y la filosofía no tienen el valor que tenían hace treinta años. Esto puede ser el inicio de la vuelta al fascismo en el mundo, como lo vemos con Donald Trump, con Jean-Marie Le Pen y muchos ejemplos más. Sería una catástrofe planetaria lo que puede pasar. Pero lo que me interesa señalar es la tendencia de cómo esa manera tan especial que existía para (ver) la poesía y la filosofía, hoy en día se ha modificado radicalmente. Los cursos de filosofía los recortan de los programas de ciencias sociales y de las humanidades. La poesía se lee menos ahora que antes. La poesía se ha convertido en pequeñas logias de jóvenes con alta cultura que se leen entre ellos. Ya no es ese evento de masas, que ha sido sustituido por los cantantes de pop y de rock, que ahora son los poetas de hace cien años. La tecnología ha modificado eso. Inclusive la poesía y la filosofía se fundamentan en la palabra escrita. Pero cada día que pasa se le da más valor a la imagen y menos a la palabra.

La revolución de internet, la revolución tecnológica, informática, hace que la palabra, en mayúscula, esté en retirada y se valora la imagen. Esto afecta sin duda la filosofía y la poesía, de manera negativa.

 

SG | En Suburbia hay un rompimiento con el lenguaje habitual de los trascendentalistas. ¿Eras consciente de eso cuando lo escribiste?

 

PC | No, en lo absoluto. Lo del movimiento trascendentalista lo conocí hasta el taller de Octubre Alfil Cuatro. En tiempo de Suburbia, conscientemente yo no pretendía ninguna ruptura. Pero el libro fue de los primeros de mi generación en salir, lo cual no es sorpresa, los 18 años es una edad bastante precoz para sacar un libro. Luego apareció María Montero, quien publicó un libro. Yo recuerdo que Ana Istarú, por el año 95 o 96, me decía que de mi generación prácticamente no conocía poesía. En ese tiempo solo María Montero y yo habíamos publicado. Pero después eso cambió radicalmente, y comenzaron a publicar los que he mencionado: Mauricio Molina, Meritxell Serrano, Melvyn Aguilar, Alexander Obando quien tuvo un boom tardío, Luis Chaves. A mí me tocó el privilegio de ser el primero en sacar un poemario en esta nueva generación. Pero ese poemario no pretendía de manera consciente ninguna ruptura. Sin embargo, como mis lecturas eran muy diferentes, mis influencias eran muy distintas. Pero eso fue algo espontáneo. Luego me di cuenta que había mucha diferencia, porque todavía estábamos en el final de una época en que se creía que había que escribir con el realismo socialista, como Jorge Debravo, en el sentido de que la poesía tenía que estar al servicio de la revolución, a inicios de los 80. Había gente que decía “si usted no escribe para fomentar la utopía socialista su poesía no vale”. Luego afortunadamente ese fenómeno desapareció y se quedó como una generación literaria que escribía de esa forma. Luego la gran pregunta era, bajo qué parámetros iba a escribir poesía la nueva generación; y por lo que hemos visto es una poesía que refleja mucha cultura. Pienso en Mauricio Molina, en Luis Chaves, el mismo Juan Carlos Murillo a nivel de cuento, Alexander Obando sin duda también tiene una cultura muy sólida; y ésta rompe con la generación anterior sin ninguna duda.

 

SG | ¿Crees que es inevitable que se den estos cambios con el paso del tiempo?

 

PC | Yo diría que es inevitable. Cada generación, sin proponérselo, responde a un contexto histórico y cultural diferente, que permea al escritor sin darse cuenta. Había que romper con el trascendentalismo, había algo en él que yo llamaría reduccionista, a nivel de lo que se podía escribir. Hoy en día esa polémica ha quedado un poco atrás. El trascendentalismo se ha debilitado. No he vuelto a saber de libros de Laureano Albán, no sé si es que no me entero. Alejandra Castro, que ha destacado tanto y fue miembro del grupo Octubre Alfil Cuatro, estuvo en el taller de Laureano Albán en la adolescencia. Sí hay influencia del trascendentalismo, pero ahora se está dando un boom poético entre personas relativamente jóvenes que se leen entre ellos, que se hacen ediciones artesanales muy bonitas de doscientos o quinientos ejemplares. Esto hay que ligarlo con las editoriales independientes que están teniendo un auge, que empezó con Carlos Aguilar y Perro Azul, pero se ha reproducido con una serie de editoriales nuevas. Los tiempos cambian. También en internet un poeta va a tener su blog para que le critiquen ahí, hace publicaciones ahí. Entonces el manejo de la parte tecnológica para la generación actual es importante y se le da una gran importancia a la poesía en línea. Esto sin duda no se veía en tiempos de Suburbia.

 

SG | Pero ¿Se publica más de lo que se debería o tiene mérito de publicarse?

 


 PC | No lo creo así. Esto porque la poesía muchas veces es tratada como la cenicienta.

Tiene que ver con lo que le hablé de los cambios mundiales, del cómo ahora se valora más el hombre alfa y como hace treinta años se valoraba más el hombre sensible, la persona culta. Ahora es el hombre deportista. Lo cual tiene un eco pre fascista a nivel mundial. Esto afecta directamente la poesía. La poesía ha sido tomada muy en serio por muchos filólogos y muchos filósofos. Como ha sido el caso de Martin Heidegger que analizó a Hölderlin, dándole una importancia primordial a lo que se escribe en poesía. Pero también la filosofía está en crisis.

 

SG | ¿Por qué solo dos libros en treinta años? ¿Has seguido escribiendo?

 

PC | Quizá a los 21 años sufrí un desencanto con el hecho de escribir. Yo soy abogado, también estudié filosofía. Me fascina leer cartas tarot; tengo una colección de setenta tarots diferentes; me he metido en eso mucho. Estuve publicando artículos en Semanario Universidad. Entonces lo que me pasó es que mi vida giró en torno a muchos intereses. Sin descuidar la lectura de la poesía. Me gusta leer los premios Nobel de literatura cuando salen cada año. Mantengo esa faceta de estar en contacto con la cultura mundial, más que la nacional. Pero desde los 21 yo no me tomé tan en serio ser poeta. Lo que pasa es que Suburbia causó un impacto en algunas personas que yo jamás hubiera anticipado. Esto me hizo replantearme la necesidad de haber seguido escribiendo. También me he dedicado a la práctica de la meditación mediante los métodos del budismo Zen y estoy muy metido en eso. En mi vida han surgido una serie de intereses y la poesía es un planeta que gira con otros planetas. Pero directamente, yo me tomé muy en serio como poeta entre los 17 y los 20 años. Pero después de eso no me lo tomé tan en serio. Cosa que no significa que dejara de escribir. En el caso de Rosa Arcana que es el segundo poemario, varios factores se conjuraron para la edición. Pero si bien toda la poesía que está ahí es mía, yo no armé ese libro. Ese libro me lo armaron en Perro Azul, para bien o para mal. Yo considero que en Rosa Arcana hay poemas muy buenos. Por ejemplo, Alexander Obando y Ana Istarú dicen que el poema “Merry Go Round”, que es un largo relato sobre un ambiente gitano de circo, es el mejor poema del libro. En ese mismo libro viene “Claveles de Acetileno” que ganó un premio literario. También tiene otras partes que no debieron haber publicado, por lo que ya expliqué anteriormente. Pero yo diría que hay personas como yo que podemos publicar cada cierta cantidad de años como algo que nos nace. Pero hay otras personas que están tan metidas en el medio, que el medio es su único referente y su razón de vida es publicar libros, ganarse amigos en el medio; se hacen de enemigos, buscan puertas en las editoriales, hay celos, hay grupos que consumen drogas. Es decir, es completamente diferente la situación de las personas que están insertas de manera estructural en el medio, que otra persona que ha marcado una distancia y que puede ver eso desde afuera sin negarse la posibilidad de publicar y seguir publicando en el futuro. Por ejemplo, Meritxell Serrano ha publicado dos libros y tiene la misma edad que yo y no le estresa en lo absoluto que sean muy pocos. Pero si la persona está de manera orgánica en el medio cultural va a estar en competencia con todos los demás o descalificando a los demás colegas; y yo no estoy en competencia con nadie.

 

SG | ¿Qué interés te genera la poesía que se escribe actualmente en Costa Rica?

 

PC | Me parece que es mucho más interesante, de mayor calidad y con mayores lecturas que la poesía nacional que yo leí en tiempos de Suburbia. Ahora se escribe mejor, se es más versátil, más flexible, el lenguaje es más depurado, más técnico. Obviamente hay libros malísimos como en todas las épocas. Pero también hay libros que sin duda han destacado. También muchas personas que escribían poesía, debido a estos fenómenos mundiales de sensibilidad que he mencionado antes, hacen un brinco de la poesía a la novela o al teatro. Por ejemplo, Alexander Obando escribió poesía mucho tiempo, pero luego se dedicó a publicar novelas como El Más Violento Paraíso, o Canciones a la Muerte de los Niños, etc. Hizo la transición hacia otro género literario. Otro caso, Ana Istarú, ella que yo sepa no ha publicado mucha poesía nueva, pero se ha dedicado a escribir buen teatro. Hay un fenómeno de personas que sienten que no se pueden sostener existencialmente como poetas y que necesitan hacer un brinco a otro género literario que les queda más accesible, donde se sienten más cómodos y pueden sacar cosas de mucha calidad. Porque si es una novela escrita por una persona que fue poeta, la novela será muy especial porque tendrá un contenido lírico, donde la poesía aporta a la parte narrativa de la novela.

 

SG | Carlos de la Ossa en el prólogo de tu libro Suburbia habla de generaciones de 30 años y que quizá la última ha iniciado en el 90. Siendo así ¿nos aproximamos a un nuevo cambio en la poesía nacional? ¿Cómo vislumbras ese cambio?

 

PC | Esto que usted señala me recordó inmediatamente el postmodernismo que es un tema que nos explica muchas cosas. Es una palabra con múltiples definiciones. Por ejemplo, Lyotard dice que es la incredulidad ante los metarrelatos; o la lógica cultural del capitalismo avanzado según Jameson. Hay otros que dicen que es la desilusión que sufrieron los intelectuales franceses después del Mayo del 68 en París. El posmodernismo tiene mucho de coloquial, de conversacional. Por lo que yo utilizaría esa palabra para describir lo que se publica actualmente en poesía. Yo no creo en la cronología de Carlos de la Ossa. Estoy seguro que otras personas con igual capacidad para hacer ese tipo de cronologías las harán diferentes. Pero si partimos de eso, efectivamente, a finales de los 80 había una gran duda sobre qué escribiría la generación nueva de 20 años y que prácticamente no conocieron la guerra fría o no conocieron lo que era escribir en función de la revolución latinoamericana. Entonces la poesía, como señaló María Gabriela Chavarría en el otro prólogo del libro, vino a ser de mayor calidad a partir de los 90, porque rompía con muchos esquemas simplistas que respondían a otra época. La época de los 90 para acá es la época del internet. Yo llamaría postmodernismo a lo que se escribe actualmente. Con esto no le quito valor. Pero esa palabra se me viene a la cabeza como criterio analítico, que reúne las características que usted señala.

 

SG | Finalmente, ¿Qué libro estás leyendo actualmente o has leído en estos días que te ha llamado la atención?

 

PC | Estoy leyendo, en inglés, el Fausto de Goethe. Estos libros traen unos prólogos como de cien páginas y me resulta fascinante la propuesta de Goethe. A mí siempre me ha gustado leer los clásicos. No estoy al tanto de las novedades en las editoriales o las librerías. Yo me voy a lo clásico. A propósito, vea que curioso. Cuando salió Suburbia y lo leyeron personas que sabían de poesía o habían leído bastante poesía me dijeron, por ejemplo, Lil Picado, que era un libro que parecía escrito hace cincuenta años o más. Yo dije sí, quizá tenga razón. Ese libro parece escrito en los años veinte en Europa. Pero para ver eso se requiere conocimiento e inteligencia. Porque otros pueden decir que era la nueva vanguardia, la nueva forma de abordar lo nuevo. Para otra persona muy culta puede verse como una antigüedad. Depende de cómo se vea. También Carlos de la Ossa dice en el prólogo que el libro es difícil y requiere de minuciosa lectura. Pero esto es falso. Si uno se pone a leer Suburbia de manera minuciosa y de forma analítica no va a llegar muy largo. Pero Mario Picado decía también que era absurdo lo dicho por Carlos de la Ossa, que él se lo podía leer de corrido y lo disfrutaba mucho, pero no tenía que ponerse a pensar mucho a la hora de leerlo. Lo que plantea Carlos de la Ossa es un problema porque si usted lee el libro y en el prólogo le dicen que el libro requiere de una minuciosa lectura porque es difícil, no le están dando las coordenadas para disfrutarlo.

Luego de más de una hora de plática, el poeta ha sido generoso con sus respuestas. La conversación se va diluyendo en comentarios más informales sobre el ambiente literario nacional y salta a la mesa una referencia a Juan Rulfo, el autor mexicano recordado por dos obras que lo marcaron como un grande de las letras. Es inevitable pensar que la obra publicada por Cotter es pequeña en cantidad, pero con un valor que la generación actual de poetas costarricenses, no puede desconocer.



NOTA

Entrevista realizada en colaboración con Ileana Calero y Alex Arias

 

 


SAÚL GONZÁLEZ (Costa Rica, 1977). Es abogado y notario público. Ha colaborado con la revista Conjetura y la revista de poesía El pez soluble. Su primer libro de poemas se llama Aproximaciones a la nada, y fue publicado en México por el Fondo Editorial Opción.







JOSEF BUBENÍK (República Checa, 1965). Artista. Miembro de la Asociación de Artistas Plásticos de las Tierras Altas (en la Unión de Artistas Plásticos de la República Checa), Asociación de la Bienal de Brno (SBB, con sede en Brno). Miembro del grupo surrealista Stir Up. Muchas otras actividades visuales y artísticas. Estudios: LŠU en Brno, en la escuela Petrov (con el pintor Petr Skácel), formación en artes plásticas en la Facultad de Bellas Artes de la Universidad Masaryk en Brno (profesor Leonid Ochrymčuk, doctorando Jiří Havlíček), consultorías privadas en la década de 1980 en los talleres del pintor Jan Wolf y del pintor Jánuš Kubíček. Artista invitado de la presente edición de Agulha Revista de Cultura. 

  



Agulha Revista de Cultura

CODINOME ABRAXAS # 11 – EL PEZ SOLUBLE (COSTA RICA)

Artista convidado: Josef Bubeník (República Tcheca, 1965)

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