quinta-feira, 20 de março de 2025

WOLFGANG PANNEK | Frida Kahlo: uma mulher de pedra dá luz à noite

 


O Butoh tem muitas faces. Expressam a sua essência através da transição, numa transformação que foge às definições discursivas. Elas devem ser vistas e experimentadas num estado de sonho para permitir que seu segredo penetre. O espectador precisa virar participante, entrar em contato nervoso direto com o dançarino e continuar a sonhar suas visões, para entendê-las em sua própria corporalidade. A consciência meramente analítica se encontra numa posição perdida, atirada de volta à perplexidade de seus próprios padrões diante de um jogo que não comunica ideias e, na melhor das hipóteses, não representa nada, mas literalmente encarna a si mesmo. Entretanto, entrar em tal estado requer a qualidade de um dançarino imbuído dos êxtases de sua ação a tal ponto de permitir essa transformação. Ao lado dos japoneses, sobretudo Kazuo Ohno, Mitsuyu Nesugi e Carlotta Ikeda, a brasileira Maura Baiocchi proporcionou uma dessas experiências poéticas sublimes. Sua apresentação se tornou um dos destaques do festival.

 

A dançarina Maura Baiocchi, com sua obra Uma mulher de pedra dá luz à noite, pertence ao grupo das Artes Relacionadas. Embora tenha passado uma fase de seus estudos em dança nos estúdios de Butoh de Kazuo Ohno e Min Tanaka, a influência desses artistas é, perceptivelmente, somente um impulso na obra de uma personalidade artisticamente independente.

A taan técnica de Baiocchi explora o fluxo energético entre dançarino, espaço e objeto. Nessa técnica, os próprios objetos, carregados de energia física e mágica adquirem o caráter de sculos” adicionais de um dado ambiente.

A peça 'Uma mulher de pedra dá à luz a noite' é uma abordagem pessoal e associativa da pintora mexicana Frida Kahlo. Ainda recentemente o teatro-dança de Johann Kresnik retratou a vida de Kahlo com um colorido painel biográfico de assustadora falta de impacto. O que enorme aparato cênico Kresnik não conseguiu, nomeadamente, fundir-se com a alegria, o sofrimento e a criatividade de Kahlo, a solista Maura Baiocchi logrou.

Mulher-pedra e mulher-pássaro

O prólogo já introduz todos todos os temas essenciais da peça. Sentimo-nos transportados para uma selva, um mundo arcaico ressoando chiados e miados. Em meio à escuridão pré-mundana há uma pedra branca. À sua base, pimentões vermelhos fatiados como sexos expostos. Uma criatura estranhamente enfaixada circunda a pedra com andar de pássaro. Suas metamorfoses a fazem aparecer, por vezes, como um réptil, como uma planta. Mas sempre como criatura condenada a girar em torno de uma dualidade orgânico-inorgânica, de um movimento da vida para a morte. Essa criatura tem uma cauda semelhante a um cipó que logo se transforma em chicote. O chicote divide o espaço, bate no sexo, impulsiona a corrida. A criatura gagueja, entoa encantamentos onomatopeicos. Parece querer sair de uma separação incurável, para se unir. Com o quê?

Rumo à consciência

Crepúsculo”, a segunda parte da peça, mostra um despertar. Ereta e iconizada, no traje de sofrimento da Kahlo, reconhecemos esta figura vegetal-animal, agora montada sobre a pedra, rígida. O corpo se confunde com a rocha, solitário num pico, entregue a uma paixão sem nome que desdobra com hesitação a sua vida vegetal. Arrepio e tremor percorrem o corpo, os sentidos visuais se abrem ao espaço. Seu sexo-fruto vermelho parece decepado, caído no chão branco. A corrente nervosa que percorre este corpo, fazendo-o alternar entre tentativas de afastamento, vôo e auto-absorção, não anuncia nenhuma pessoa, nenhuma personagem. Antes, esse corpo parece permeado por uma fluidez da sensação, pelo movimento de um pensamento livre. E sucede uma saída larval, ainda insegura, um levantar, uma descida. Um corpo assegurando-se de seus contornos, assumindo, por instantes, postura autoconfiante, quase heróica, para logo casar-se com a terra, contemplativo e, por fim, erger-se da noite rumo a uma nova aurora.

O outro espaço

Na parte central, que também é uma mudança de cena, ouvimos a voz rouca de uma velha. Textos espanhois de Kahlo falados por Maura Baiocchi - quase dez minutos. Quase demorado demais para o ouvinte sem proficência idiomática, não fosse a concentração da ação precedente. Gemidos, suspiros, lamentações e ladainhas que revisitam os motivos animais e aviculos. Gravação crepitante que o transporta para outra época, uma sala vazia e mal iluminada.

As saias de Kahlo

Após a mudança. Movimento II. Locomoções mais dançantes norteiam essa história de abortos. Passagens que ligam motivos biográficos de Kahlo a aspectos da deusa mítica Kali. Quando Kahlo sofreu um acidente em um ônibus, um cano perfurou seu abdômen. A coluna foi ferida, o útero destruído. Um balde de tinta dourada derramou-se sobre a garota já coberta de sangue.


Baiocchi reaparece com uma capa de ouro. Sobre seios e pubis, as máscaras de nascituros. Uma beleza amarga, idiossincrática, circulando sem freio ao redor de si mesma. Sedutora, deixa tremular a bandeira da sua dor. Sinos anunciam um casamento. Uma noiva com coroa de alho para afastar os maus espíritos. Suas saias balançam, sinais de desejo, mas o noivo não chega. Suspensão não saciada se transforma em batidas frustradas. Chutar a terra.

Uma deusa-palhaça, ridiculamente desesperada, aparece em vestido escarlate. Entre devassidão e desânimo, tenta dançar. Chia e late sua existência separada para fora mas logo se regozija em descarrilamentos e como que isenta de qualquer decoro diante de sua falta de saída. Deusa tornada grotesca que busca caricaturar-se face a sua humanização, que escarra seu ser silenciado com encantamentos sem lugar nem rumo, manchada, expulsa e, finalmente, paralisada. O braço - sinal de exclamação - levantado.

Entra uma velha-espantalho cambaleante, os dedos das mãos transfigurados em pés de neném. Uma saia cai. Insígnias do comunismo, religião substituta de Kahlo, tornam-se visível. Cai outra saia e nas meia-calças de Kahlo-Kali balançam membros decepados de bebês. Vestir-se é despir-se é disfarçar-se é …. Última passagem. A Kahlo amputada. Sua perna removida em cima de um carrinho dourado. Piruetas em torno de uma amputação, Dança em torno da ausência.

Festival da Morte

A cabeça transformada em caveira, a Kahlo-Kali-Baiocchi ingressa em sua fase final, encenação fanática do próprio funeral. Ri de sua morte, ri na cara da comunidade enlutada, o público. Flores funerárias em mãos, ela se deita sobre uma carruagem reluzente. Seu vestido de noiva - a capa dourada - vira mortalha. Aos gritos, animalescos e infantis, cala a própria boca desesperadamente risonha: "Olhem para mim! Olhem para mim!"

Pós-lúdio cômico

O público não compreende. Silêncio angustiado. Morta? Acabou? Passou? Mas, Baiocchi se levanta do leito de morte: "Ya no te quiero. Ya no tienes pelo. ¿Me entiendes? ¿Me entiendes?” Ela sobe e dança sobre seu caixão, costume mexicano,  pisando a si mesma para dentro da cova! Por fim, acabou. Alívio. Aplausos.

Com este improviso irónico, Uma mulher de pedra dá luz à noite” chegou ao término, mas fazendo sentir, com nitidez, as ressonâncias interiores no público participante. Momentos de dança e atuação em um espaço atemporal e geograficamente indeterminado se encontraram unidos e incorporados na performance de Baiocchi. Ficou evidente que a bailarina, que havia mostrado seu trabalho no Freiraum Theater no ano anterior, mergulhou ainda mais profundamente em sua matéria sem descuidar da relação com o público.

Maura Baiocchi não ofereceu uma releitura da biografia de Kahlo, mas foi capaz de dar uma expressão universal as suas feridas, sua solidão, ser desejo de fusão e, sobretudo, a sua "alegria" apesar de tudo, conferindo ao imaginário mítico-natural e afetivo da pintora sua linguagem autoral própria. Uma homenagem à artista Kahlo com uma encenação - tão sensível quanto concisa em cenário e figurino - que criou a impressão de um contato subterrâneo entre almas afins. Dança, sons e gestos, objetos luz e cores compuseram um ambiente de sinais sugestivos em que o público pudesse se sentir como um "músculo" do acontecimento.

 

 

 


WOLFGANG PANNEK | Verm
ählungen, Geburten, Tod

Maura Baiocchi auf dem Butoh and Related Arts Festival Bremen '92

 

Der Butoh hat viele Gesichter. Ihr Wesen äußern sie im Übergang, in einer Verwandlung die sich diskursiv er Festlegungen entzieht. Sie wollen im Traumzustand geschaut und erfahren werden, um ihr Geheimnis eindringen zu lassen. Der Zuschauer muss Teilnehmender werden, in unmittelbaren Nervenkontakt zum Tänzer treten, und die Gesichte weiterträumen, um sie in seiner eigenen Körperlichkeit zu begreifen. Analytischer Geist allein, befindet sich auch verlorenen Posten, ist auf die Ratlosigkeit der eigenen Muster zurückgeworfen,  angesichts eines Spiels, das keine Ideen kommuniziert, und im besten Falle nichts darstellt, sondern sich buchstäblich verkörpert. Das Eintreten in einem solchen Zustand, setzt allerdings die Qualität eines Tänzers voraus, der derart von den Ekstasen seiner Aktivität durchdrungen ist, dass er diese Verwandlung erlaubt. Neben den Japanern, allen voran Kazuo Ohno, Mitsuyu Nesugi und Carlotta Ikeda, gewährte die Brasilianerin Maura Baiocchi eines jener sublimen poetischen Erlebnisse. Ihre Performance gedieh zu einem der Höhepunkte des Festivals. 

 

Die Tänzerin Maura Baiocchi gehört mit ihrer Arbeit ‘A Stone Woman Gives Birth to the Night’ zur Gruppe der Related Arts. Sie hat zwar eine Phase ihres tänzerischen Schaffens in den Butoh-Studios Kazuo Ohnos und Min Tanakas zugebracht, aber deren Einfluss ist allenfalls als Impuls im Spiel einer künstlerisch eigenständigen Persönlichkeit feststellbar. Ihre Technik, deren Aufmerksamkeit den frei fluktuierenden Energien zwischen dem Tänzer, dem Raum und seinen Objekten gilt nennt die Baiocchi “Taan”. Des Objekten selbst kommt der Aspekt zusätzlicher “Muskeln”, physisch wie magisch geladener Energiekörper gegebener Örtlichkeit zu.

Das Stück A Stone Woman Gives Birth to the Nightist eine ebenso persönliche wie assoziative Auseinandersetzung mit der Figur der mexikanischen Malerin Frida Kahlo, über deren Leben uns das Tanztheater des Plakatmalers Johann Kresnik noch kürzlich einen bunten biografischen Bilderbogen von erschreckender Nachwirkungslosigkeit präsentiert hat. Was Kresnik mit seinem gewaltigen Bühnenapparat nicht gelang, sich selbst nämlich mit der Lust, den Leiden, insbesondere aber mit der Kreativität der Kahlo zu verquicken, gelingt der Solistin Maura Baiocchi.

Steinfrau und Vogelfrau

Der Prolog des Stückes stimmt bereits alle wesentlichen Themen an. Wir fühlen uns in einen Urwald, in eine von Zirpen und Miauen durchtönte, arachaische Urwelt versetzt. In der Mitte dieser vorweltlichen Dunkelheit befindet sich ein weißer Stein, an dessen Fuß aufgeschnittene rote Paprika wie bloß gelegte Geschlechter liegen. Ein sonderbar bandagiertes Wesen umkreist mit vogelhaftem Schritt den Stein. Seine Metamorphosen lassen es bisweilen als Reptil, als Gewächs, immer aber als ein Geschöpf erscheinen, das von der Umkreisung einer organisch-anorganischen Dualität, einer Bewegung vom Leben zum Tode nicht abzulassen vermag. Dieses Wesen trägt einen lianenartigen Schwanz, der sich bald in eine Peitsche verwandelt. Die Peitsche teilt den Raum, klatscht gegen das eigene Geschlecht, treibt den Lauf weiter. Das Wesen beginnt zu stammeln, holt zu lautmalerischen Beschwörungen aus.

Es scheint,  als wolle es aus einer unheilbaren Abtrennung heraustreten, sich vereinigen.Womit?

Zum Bewusstsein

“Twilight’, der zweite Part des Stückes, zeigt ein Erwachen. Eingesteift und ikonisiert, im Leidenskostüm der Kahlo erkennen wir diese Pflanzen- und Tiergestalt nun auf dem Stein, starr. Der Leib scheint mit dem Fels verwachsen, einsam auf einem Gipfel, und hingegeben an einen namenlose Passion, die zögernd ihr vegetatives Leben entfaltet.Ein Schaudern und Schütteln durchläuft den Körper, die Gesichtssinne eröffnen sich dem Raum. Die rote Frucht des Geschlechts wirkt abgeschnitten und herabgefallen auf weißes Linnen.

Der nervöse Strom, der diesen Körper durchrinnt und alternieren lässt, zwischen Versuchen der Loslösung, des Abflugs und der Selbstversunkenheit, kündigt keine Person, keinen Charakter an. Vielmehr scheint er von einem Fluidum der Empfindung, der Bewegung eines ungebundenen Denkens durchdrungen. Und es kommt  zu einem noch puppenhaften, unsicheren Heraustreten. Ein Aufstehen, ein Herabsteigen gelingt. Ein Körper, der sich seiner Umrisse vergewissert, für einen Augenblick in eine fast heroische,  selbstgewisse Haltung gerät, um sich dann besinnend mit der Erde zu vermählen, und, schließlich, zu erheben, aus einer Nacht in ein neues Morgenerwachen.

Der andere Raum

Im Mittelpart, der zugleich eine Umbaupause ist, hören wir die kehlige Stimme eines alten Weibes. Spanische Texte der Kahlo gesprochen von Maura Baiocchi - fast zehn Minuten. Fast zu lang für den Sprachohnmächtigen, wirkte nicht die Konzentration des Vorangegangenen. Stöhnen, Seufzen, Klage und Litanei, die Tier- und Vogelmotive wiederaufgreift. Eine knisternde Aufnahme, die in eine andere Zeit, ein kahles, matt beleuchtetes Zimmer versetzt.


Die R
öcke der Kahlo

Nach dem Umbau. Movimento II. Stärker tänzerisch ausgerichtete Bewegungenlenken diese Geschichte der Fehlgeburten. Passagen, die biografische Motive der Kahlo mit Aspekten der mythischen Göttin Kali verknüpfen. Der Kahlo war, als sie in einem Omnibus verunglückte, der Unterleib von einem Rohr durchstoßen worden. Die Wirbelsäule wurde verletzt, die Gebärmutter zerstört. Ein Eimer goldener Farbe ergoss sich über das blutende Mädchen.

Maura Baiocchi erscheint mit goldenem Cape. Über Brüsten und Scham, die Masken ungeborene Säuglinge. Eine bittere, auf sich zurückgeworfene Schönheit, die mutwillig und tändelnd sich selbst umkreist. Die werbend die Fahne ihres Schmerzes flattern lässt. Glockenschläge kündigen eine Hochzeit an. Die Braut trägt einen Knoblauchkranz auf dem Kopf, der böse Geister vertreiben soll. Ihrer Röcke schwingen mit den Zeichen des blütenroten Geschlechts, aber der Bräutigam bleibt aus. Ein unerfülltes Schweben, das sich in unbefriedigtes Stampfen wandelt. Die Erde treten.

Im rotem Kleid tritt eine lächerlich verzweifelte Clownsgöttin hervor. Zwischen Mutwillen und Verzagtheit versucht sie den Tanz. Sie kräht und bellt ihr abgetrenntes Dasein heraus. Bald genießt sie sich in ihren Entgleisungen, als sei sie angesichts ihrer Ausweglosigkeit jeder Verantwortung enthoben. Eine grotesk gewordene Göttin, die ob ihrer Vermenschlichung, sich selbst zu karikieren sucht, die in ort- und ziellosen Beschwörungen ihr sprachlos gewordenes Sein ausrotzt, verschmiert, ausgestoßen und schließlich erstarrt. Mit zum Ausrufezeichen erhobenen Arm.

Watschelnd tritt eine alte Vogelscheuche herein, die Finger in Kinderfüße verwachsen. Ein Rock fällt. Die Insignien der kommunistischen Partei, Ersatzreligion der Kahlo, werden sichtbar. Ein zweiter Rock fällt, und an den Hosenbeinen der Kahlo-Kali baumeln die abgetrennten Gliedmassen von Säuglingen.Verkleidungen sind Entkleidungen sind Verkleidungen sind…

Letzte Passage. Die amputierte Kahlo fährt herein. Das abgenommene Bein auf einem kleinen goldenen Wagen. Pirouetten um eine Amputation,Tanz und das Abwesende.

Fest des Todes

Den Kopf mit einer weißen Kappe in einem Totenschädel verwandelt, tritt die Kahlo-Kali-Baiocchi in ihr letztes Stadium, das einer fanatischen Inszenierung des eigenen Begräbnis gleichkommt. Sie lacht ihrem Sterben und ihrer Trauergemeinde, dem Publikum, entgegen. In's Gesicht! Die Totenblumen in der Hand, bettet sie sich auf einem größeren goldenen Wagen, ein Gefährt, dass ein Leben zum umkreisen scheint. Das Brautkleid, ihr goldenes Cape, wird zum Leichentuch. Sie bedeckt sich selbst, Tier und Kinderschreie, und verstopft ihr freudig verzweifelt lachendes Maul. "Seht mich an! Seht mich an!"

Komisches Nachspiel

Das Publikum begreift nicht. Beklemmte Stille. Tot!. Aus! Vorbei! Maura Baiocchi erhebt sich vom Sterbebett: "Ich liebe dich nicht mehr. Du hast keine Haare mehr. Versteht ihr mich? Vous comprenez moi?” Sie steigt auf ihren Sarg und stampft ihn nach mexikanischen Bauch in die Erde. Sich selbst ins Grab stampfen! Endlich, geschafft! Aufatmen. Applaus.

Mit diesem improvisierten, ironischen Schluss endete A Stone Woman Gives Birth to the Night, eine Performance, die deutlich den inneren Nachhall im teilnehmenden Publikum spüren ließ. Tänzerische und schauspielerische Momente in einem zeitlosen und geographisch unbestimmten Raum waren im Spiel Maura Baiocchis vereint und verkörpert.

Gleichzeitig wurde offenbar, dass die Tänzerin, die ihre Arbeit bereits im letzten Jahrim Freiraum Theater Bremen gezeigt hatte, noch tiefer und innerlicher in ihre Materie eingedrungen ist, ohne dabei die Beziehung zum Publikum zu vernachlässigen. Bezugnehmend auf die Figur Frida Kahlos  war hier ein Schauspiel zu erleben, das künstlerische Subjektivität mit universalen Fragen des Kreatürlichen zu vereinen wusste. Maura Baiocchi konfrontierte nicht mit der biografischen Nacherzählung einer historischen Kahlo, sondern vermochte deren Verletzungen, Einsamkeiten und Verschmelzungssehnsüchten, und endlich ihrer allem zum Trotz gewendeten “Allegria"einen allgemeingültigen Ausdruck zu verleihen, indem sie dem naturmythischen Empfindungsbild der Kahlo eine eigene Sprache verlieh.

Referenz an die Künstlerin Kahlo erwies eine Inszenierung, die in Kostüm und Bild ebenso reduziert wie sensibel den Eindruck eines unterirdischen Kontaktes verwandter Seelen hervor rief. Tanz, Laute und Gebärden, Objekte Licht und Farben wurden zu einem Ort suggestiver Zeichen komponiert, an dem sich das Publikum als Muskel des Geschehens fühlen konnte.



NOTA

Publicação original: Bremer, Bremen/Alemanha, maio de 1992. Tradução ao português assinada por Wolfgang Pannek. As imagens que acompanham esta página integram o acervo da Taanteatro Companhia e foram gentilmente cedidas por Wolfgang Pannek.




WOLFGANG PANNEK
| Diretor teatral, produtor cultural, cineasta, ator, autor e tradutor. M.A. (filosofia, letras e psicologia) pela FernUniversität Hagen (Alemanha). Doutorando em filosofia na Academia de Artes de Leipzig.  Ao lado de Maura Baiocchi, é diretor da Taanteatro Companhia (São Paulo) e co-autor e organizador de sete livros, publicados entre 2007 e 2022, sobre o taanteatro ou teatro coreográfico de tensões. Em 2021, publicou o livro Bilder der Macht. Das ikonoklastische Denken Gilles Deleuzes (Imagens do poder. O pensamento iconoclasta de Gilles Deleuze), Transcultura, SP, 2021. Publicou artigos em revistas acadêmicas e culturais no Brasil, na Argentina e na Alemanha. Concebeu e dirigiu espetáculos de autoria própria e a partir da obra e vida de autores como Tabori, Beckett, Pessoa, Nietzsche, Artaud, Deleuze e Guattari, entre os quais a trilogia cARTAUDgrafia e 1001 Platôs. Produziu e organizou múltiplos eventos internacionais em torno de Antonin Artaud e Gilles Deleuze. Em 2020, dirigiu o projeto cinematográfico Antonin Artaud’s The Theater and the Plague. Em 2021, dirigiu junto com Maura Baiocchi o filme APOKÁLYPSIS. Desde 2021, é diretor de produção do Festival Internacional de Ecoperformance. 

 


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CODINOME ABRAXAS # 02 – TAANTEATRO COMPANHIA (BRASIL)

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