sábado, 12 de janeiro de 2019

ARC EDIÇÕES | CATÁLOGO 2013-2018



ARC Edições surge em 201o, primeiramente como uma pequena casa de edições virtuais, cujo catálogo de 14 livros atendia pelo nome de Coleção de areia. Alguns dos livros ali publicados foram posteriormente reeditados pela coleção “O amor pelas palavras”, uma coedição entre Editora Cintra e ARC Edições, de circulação exclusiva pela Amazon. Somente em 2013 demos a essa aventura editorial uma versão impressa, cujo catálogo é apresentado agora. O nome ARC vem da abreviatura de Agulha Revista de Cultura, revista existente desde 1999.

[ NOSSOS LIVROS ]

Floriano Martins (poemas) e Valdir Rocha (desenhos) avivam uma relação de amizade na forma de um diálogo criativo que transcende os limites da ilustração. O convívio com a poética de cada um é o que permitiu o convite feito por ambos quase simultaneamente, como um estalo mágico do acaso. Lembrança de homens que não existiam traz à tona - ou conduz o leitor à profundeza de seu imaginário - uma secreta história do homem repleta de indagações e inquietudes. E o faz com um sentido narrativo que resulta em desafio e encantamento, pelo que permite a quem o visite identificar-se com a voragem de sua visão. Um livro para ser visto e lido sem dissociar suas vertentes criativas.


Edição trilíngue, traduções de Allan Vidigal (inglês), Juan Cameron (espanhol) e Floriano Martins (português)
Buscando realizar e não apenas aludir, Overnight medley é um livro de poesia e jazz. Suas duas primeiras partes – Footprints e Giant steps – são poemas de cada um de seus autores, o brasileiro Floriano Martins e o mexicano Manuel Iris, sobre músicos de jazz. A terceira parte, My favorite things, está composta por poemas escritos a quatro mãos com a técnica da escritura automática como equivalente poética da improvisação musical, a parte de temas jazzísticos. Ao final, Don’t eat the yellow snow, instigante diálogo entre ambos autores que revela mais da natureza e lógica interna desta obra que resulta pura música, graças ao ritmo e à intensidade de sua criação.


Floriano Martins e Viviane de Santana Paulo sentam-se à mesa virtual – ele em Fortaleza, ela em Berlim – para uma ousada aliança, a de criar um mundo poético baseado na alteridade, na troca de humores, em um jogo entranhável em que se embaralham os sentidos. Em silêncio foi concebido como um tríptico evocando uma variada experiência com a linguagem, mesclando ambientes míticos, urbanos, oníricos, em uma rara aventura pela selva da imaginação. O sentido de entrega alcançado pelos dois poetas permitiu a fusão de muitas e inquietas vertentes da criação. Um livro para viver no mais alto grau de intensidade de sua leitura.


Floriano Martins está e assim permanecerá devotado ao infinito, juntando os cacos para reconstruir um ideal de clareza pós-apocalíptica. Sua imaginação é uma avalanche, avalanche guardiã do próprio mito que imagina, alinhava, faz reverberar e reitera. Escrita em estado permanente de desconstrução e reinvenção, difícil saber como o poeta evita cair no próprio abismo. [Glaucia Olinger]
A poesia do Floriano Martins é o lugar quase lascivo de uma ambiguidade. Desfrutar dessa ambiguidade é um privilégio que, em definitivo, não é para todo mundo. Sua escrita é como uma trilha de pedras: na medida em que se caminha por ela o leitor se  sente seguro, até mesmo deslumbrado com o horizonte que se descortina; porém o segredo é encontrar as pedras que estão solidamente apoiadas para não cair, pois ele sempre põe uma ou outra que nos faz escorregar. Ele é perigoso. [Renata Sodré Costa Leite]
Vejo o convulsivo na poesia de Floriano Martins dentro daquilo que no Surrealismo se define como belo, vejo o encontro de elementos, sensações e temas, no ponto em que deixam de ser opostos. Isto é o que considero convulsivo nele. Vejo elementos do feminino que ele contempla se juntarem aos elementos do masculino que ele expressa. E juntarem-se ao ponto de ser um. [Susana Wald]

Pouco antes de sua morte, em 1994, Sérgio Campos publicaria o livro Mar anterior. Poesia selecionada e revista 1984/94. Mais do que simples seleção de poemas de outros livros, aqui podemos falar de um livro outro, onde os poemas, além de revistos, apresentam nova disposição, atendendo aos temas que se mostraram, ao largo de dez anos de produção, mais entranhados em sua obra. Lendo agora Mar anterior confirma-se a incidência de uma epopeia íntima, como característica fundacional dessa poética. O próprio autor assim o comenta, em nossa correspondência pessoal: “realmente, o epos se coloca em intenção no poema que, no entanto, não é heroico, mas em essência lírico, o que lhe dá essa sensação de intimismo”. […] Este livro reúne esforços de três amigos pela recuperação da obra de um grande poeta brasileiro, falecido prematuramente aos 53 anos de idade. ARC Edições agradece sinceramente a Pedro Bahiense, filho do poeta.


Esta é a primeira trilogia de uma experiência de teatro automático que vêm realizando, a quatro mãos, os poetas brasileiros Zuca Sardan e Floriano Martins. O iluminismo é uma baleia está composto pelas peças Circo Cyclame, Trem Carthago e Cine Azteka – três viagens fascinantes pelo mundo da imaginação e da sátira. Livros repletos de um humor cortante e situações delirantes. Ao final, acrescenta-se ainda um making of, composto de três diatribes (orfeica, heroica e satírica), que esmiúçam as entranhas da criação. O livro é também uma galeria valiosa de técnicas plásticas que incluem desenhos, colagens, montagens e fotografias.


Traduções de Allan Vidigal (inglês), Eclair Antonio Almeida Filho (francês), Floriano Martins (espanhol), Márcio Simões (inglês), Milene Moraes (francês). Orelhas de Marco Lucchesi, e posfácio de Leontino Filho
Floriano Martins escreveu um livro de rara probidade intelectual. Diante de um repertório vasto, difícil e inacabado, elaborou uma articulação ousada e bem sucedida entre partes consideradas dispersas e intrafegáveis. Enfrentou a princípio – e com galhardia – uma nuvem de ideias em contínua migração. O primeiro passo foi dado com O começo da busca, que era um livro sem aduanas ideológicas ou embargos culturais. Era o anteprojeto de uma ousada cartografia. Não a que se faz dentro de um cômodo gabinete, de censuráveis a prioris e de outras imposturas intelectuais, conceitos que mal se adequam a uma geografia porosa, vibrátil, em que as ilhas distantes, porventura, podem formar um arquipélago inesperado, partindo-se de um insight, ou de uma atenção polifônica, nas camadas mais profundas da harmonia. O mapeamento de Floriano está para Borges e Calvino. Preciso e marcado de potencialidades. Atento a percursos mal visitados, como quando aborda certas formas clandestinas do Surrealismo, que não tomam parte sequer de um proto-cânone. Floriano está no microcentro de Buenos Aires e entre os Mapuches do Chile, interage com os poetas do México e com os de Cuba, com uma desenvoltura, uma atenção, um respeito que hoje anda quase perdido. O seu gabinete fica – como dizia Antonio Carlos Villaça – entre a estante e a rua, a escuta precisa e a polêmica aguda, provocadora, nunca próxima da gratuidade, a serviço de mais oxigênio e coragem. […] Tenho Floriano Martins como um dos nomes cruciais para a compreensão das culturas da assim chamada América Latina – e não estou só nesta quadra. Poucos no continente possuem hoje um trânsito físico e mental como o dele, para todas as latitudes deste nosso velho Mundo Novo. Sua aventura espiritual bebe na fonte de um José Martí e sonha uma integração poética mais profunda e marcada pelo estatuto da emancipação. E, afinal, será preciso sublinhar que este livro foi escrito por um poeta de marca, um ensaísta vigoroso e um artista plástico que não separa a instância crítica da própria criação? [Marco Lucchesi]


Participação especial (posfácio-entrevista) de Kazimir Pierre
O dilema maior do mundo não está na fé credenciada, mas antes na relutância em defender o padroeiro existencial de cada um, ou de cada temporada. Entregar-se a um deus qualquer é o mesmo que associar-se a um clube. Garante a espécie que se julga devota de uma razão acima de qualquer suspeita, porém não encontra argumentos para quem a dissocia de seus padroeiros de vivenda. Não, não podemos concluir nada, jamais entendi a pressa em concluir algo. O mundo não cabe no dogma finito da matéria. Acaso teríamos tornado possível o exame de DNA apenas para identificar personagens da ficção semanal? Bem sei que tua indagação infringe as normas físicas, mas entendo onde queres chegar. Os excessos religiosos são uma espécie de dádiva para os excessos políticos, na mesma proporção em que os excessos científicos alimentam a bravata dos excessos artísticos. O homem ferrou a razão, limitando-a a uma fonte de justificativa de seus erros.


Edição a cargo de Floriano Martins e Leontino Filho
O livro é dádiva da memória, palavra que pulsa quase simultaneamente numa avalanche de pura poesia. Cruzeiro Seixas, esse homem-galáxia, poeta e pintor de alta linhagem, está desnudo, expresso em surreal tecido de verdades, em Confissões de um espelho, uma verdadeira joia encravada nas faces disfarçadas do real. O livro traz, a tiracolo, cartas de Cruzeiro Seixas destinadas a Floriano Martins, confissões sem meias verdades ou com verdades inteiras, a epistolografia é uma preciosa arte e nas mãos de um artista genial ganha um tal refinamento que vale por si. Na sequência das cartas, os poemas e desenhos: As minhas mãos é que pensam, não eu. Cruzeiro Seixas em sua poética, numa visada crítica, sem submissão alguma, atrela o erudito ao coloquial, de forma enfática, por vezes insólita e enlouquecida, não à toa, ele acentua numa de suas muitas entrevistas que: A vida é, de facto, um escândalo para a razão. Sendo assim, torna-se imprescindível ocupar com destemor os assombros do surrealismo, essa falésia de impertinências e desassombros, essa asa de vontades e infinitudes, esse reino de liberdade na consciência do infinito. Para não ir muito longe, nessas aventuras surreais, novamente Murilo Mendes: O surrealismo, tentando ultrapassar os limites da razão humana, aproxima-se às vezes consideravelmente da mística. Cruzeiro Seixas arremata: Os que querem agarrar com ambas as mãos o IMPOSSÍVEL não se apercebem que o impossível acontece todos os dias. [Leontino Filho


Desenhos do capítulo central de Zuca Sardan
Desde cedo o tríptico me desperta atenção. Igualmente a suíte. Aos poucos fui percebendo que meus grandes mestres sempre foram renascentistas. Não os poetas, mas antes os compositores e artistas plásticos. Eu ambicionava trazer para o poema aquelas estruturas. Este truque alcançado cria uma astuta miragem: o plano épico.  Na montagem das suítes eu recortei diversas formas poéticas: tercetos, sonetos, odes, provérbios, prosa poética, aforismos… A grande obra da carne é uma soma dessa fonte de ilusionismos. Sua estrutura também revela distintos comportamentos da linguagem poética: extensa suíte, atípico enredo teatral, biografia psicografada. Como todos os meus livros, também este reflete minha natureza andarilha, o que inclui as colagens e vinhetas que atrelo ao sumo dessa aventura criativa. Graças à cumplicidade milenar descoberta com Zuca Sardan, eu tratei de lhe pedir que desenhasse retratos dos cinco personagens que compõem o capítulo central, que empresta nome ao livro. Perambularam comigo, em minha carroça de cigano, Nise da Silveira, Chico Anysio, William Blake e os fantasmas de todos os criadores mencionados da primeira à última página. Não há aventura mais íntima e intensa do que a criação. Quero aqui dedicar a todos nós umas palavras de Federico Fellini, pelo tanto que se encaixam em minha visão de mundo: Sinto a responsabilidade de não enganar, de não contentar-me, de testemunhar, com uma rigorosa aplicação dos instrumentos expressivos de que disponho, a loucura na qual de vez em quando me encontro. Não renunciar ao rigor: a cor, a luz, a perspectiva justa no momento justo. Sem com isto esquecer que a expressão artística tem também um aspecto lúdico: propondo uma visão das coisas, mostrando aos outros um momento meu de bom ou mau humor, convido sempre ao jogo da fantasia. Fellini é um de meus poetas preferidos. A grande obra da carne é um tríptico repleto de truques alquímicos que sigo descobrindo, sempre alheio à intransigência das classificações. Abraxas


Capa & prefácio de Floriano Martins. Posfácio de Claudio Willer
A vocação obsessiva de Péricles Prade é a mesma de um parente distante apenas no tempo: o holandês Hieronymus Bosch (1450-1516). Ambos são ferreiros refinados na escritura de suas evocações. Ambos mergulharam no ambiente ocultista, não como se fossem associados de uma ortodoxia, mas antes como quem busca os argumentos mais potentes para descrever a saga existencial pela qual se aventuram. Satíricos sutilíssimos, ambos, embora distintos no tratamento da ironia, na derrocada de mitos e outros vícios de linguagem. Dois felizes calígrafos dos deslizamentos da alma humana. [Floriano Martins]


A criação, em seu afortunado radical, é uma viagem. O ato criador é o que melhor define a experiência humana e a aventura da descoberta. Tudo aquilo que sabemos espelha-se em maior grandeza no que desconhecemos. É um imperativo natural, portanto, gostar imensamente do abismo. O homem se alimenta de constatações que são possíveis graças a seu desprendimento de tudo. […] O traço com aparência primitiva na criação de Valdir Rocha tem o efeito de uma palavra-chave na credibilidade de cena desenvolvida por um ilusionista. Podemos saltar do ambiente poluído de uma metrópole para a paisagem idílica de um verão caribenho, porém quando despertamos de seu efeito o que identificamos como parte nossa é a fortuna da ambiguidade buscada pelo artista. Somos um pouco de tudo, o que aceitamos, buscamos, confundimos, rejeitamos. Essa fixação – que é essencialmente da crítica, jamais da criação – de dar à arte um destino sociológico, é aparentado de outro artifício, o de considerar sua substância como um dado processual da tradição. [Floriano Martins]


Capa & prefácio de Floriano Martins.
R. Leontino Filho finaliza sua incondicional defesa da espécie humana conclamando que não se diga uma só palavra até que tenhamos aprendido ou reaprendido o quanto ela pode nos libertar de nós mesmos, de nossos mecanismos autodestrutivos. Esta é a sua Anatomia do ócio. O relato de que o homem tornou-se uma aberração diante de si mesmo e que somente pode sonhar com o tecido trêmulo de alguma ressurreição ao se determinar a definir um valor exato e incorruptível à palavra dada. Não é à poesia propriamente – em isolado – que cabe essa determinação, mas sim ao poeta, em especial aquele que entende que sua vida só equivale à sua obra se ambas estão afinadas pelo mesmo diapasão de reconhecimento da humanidade em si. [Floriano Martins]


Quanto mais nos dedicamos a olhar fixamente o vazio, mais ali nos encontramos com a intrínseca natureza da criação. É na tábua raspada de nossa existência que vamos identificando os vultos a partir dos quais conformamos toda uma vida. O modo como embaralhamos os seis sentidos. Os retalhos de vislumbres que habitam o desejo e a memória. Quando criamos é que damos sabor à borda do infinito. A arte nos permite a consciência de todas as experiências. O bordado da realidade, tangível ou não, a partir do momento em que a percebemos como parte inseparável de cada um de nós. Não li as imagens de Valdir Rocha, pois não se tratava de ilustrá-las com seu correspondente em verso. A disposição em que as duas imagens, plástica e poética, se mostram neste livro importa tanto quanto a autoria. Tomando por base outro ritual seguramente eu teria assinado as fotografias na mesma proporção em que Valdir Rocha teria escrito os poemas. A grande afinação, sobretudo ditada pelo diapasão de nossa existência, a encontramos nessa fiação de truques que ele chama de “a ficção das imagens”. Tanto nos desentranhamos ao criar que jamais cairíamos em outro ardil que não o da narrativa. [Floriano Martins]


Textos de las solapas de David Cortés Cabán y Manuel Iris.
Este largo volumen, en sus 704 páginas, es un entrañable estudio crítico de la tradición lírica en Hispanoamérica, en sus 19 países. El libro se encuentra dividido en tres capítulos, en la forma de entrevistas y encuestas: el primero con 47 de los más expresivos poetas de esta parte del continente americano; el segundo con 39 estudiosos que aclaran los caminos de las vanguardias; y el tercero con tres amplios diálogos con el crítico español Jorge Rodríguez Padrón sobre las relaciones de esta lírica con la poesía española. Libro indispensable para el conocimiento de la lírica en Hispanoamérica. Su autor, el poeta Floriano Martins (Brasil, 1957), ha rescatado el pensamiento de los poetas y los hechos más decisivos de la poesía hispanoamericana.


[ NOSSOS AUTORES ]

CRUZEIRO SEIXAS (Portugal, 1920)
Imenso criador, na poesia e na plástica. Referência imperativa no que diz respeito à presença do Surrealismo em Portugal, sendo um de seus máximos representantes. Sua obra plástica encontra-se em diversas coleções privadas e em instituições como o Museu do Chiado (Lisboa), Centro de Arte Moderna da Fundação Caloust Gulbenkian, Biblioteca Nacional, Biblioteca de Tomar, Fundação Cupertino de Miranda (V. N. de Famalicão), Museu Machado de Castro (Coimbra), Fundação António Prates (Ponte de Sor), Fundación Eugenio Granell (Galiza), ou o Museu de Castelo Branco. Sua poesia em grande parte foi publicada pela Quasi Edições, permanecendo inédita ainda hoje uma parcela significativa. No Brasil, pelas mãos de Floriano Martins, foi publicado um volume de poemas, desenhos e aforismos, Homenagem à realidade (Escrituras Editora, 2005).


FLORIANO MARTINS (Brasil, 1957)
Poeta, editor, ensaísta, artista plástico e tradutor. Criou em 1999 a Agulha Revista de Cultura, revista de circulação pela Internet. Coordenou (2005-2010) a coleção “Ponte Velha” de autores portugueses da Escrituras Editora (São Paulo). Atualmente dirige o selo ARC Edições, bem como a coleção “O amor pelas palavras”, juntamente com Leda Rita Cintra, parceria de circulação exclusiva pela Amazon entre ARC Edições e Editora Cintra. Curador da Bienal Internacional do Livro do Ceará (Brasil, 2008), e membro do júri do Prêmio Casa das Américas (Cuba, 2009), Concurso Nacional de Poesia (Venezuela, 2010) e Prêmio Anual da Fundação Biblioteca Nacional (Brasil, 2015). Professor convidado da Universidade de Cincinnati (Ohio, Estados Unidos, 2010). Tradutor de livros de Federico García Lorca, Guillermo Cabrera Infante, Vicente Huidobro, Hans Arp, Alfonso Peña, Juan Calzadilla, Enrique Molina, Jorge Luis Borges, Aldo Pellegrini e Pablo Antonio Cuadra. Entre seus livros mais recentes se destacam Memória de Borges – Um livro de entrevistas (2 vols, entrevistas, Brasil, 2013), Un poco más de surrealismo no hará ningún daño a la realidad (ensayo, México, 2015), Espelho náufrago (poesia, Portugal, 2017).


MANUEL ÍRIS (México, 1983)
Poeta e ensaísta. Prêmio Nacional de Poesia “Mérida” (2009). Autor deVersos robados y otros juegos (2004, 2006), Cuaderno de los sueños (2009) e Los disfraces del fuego (2014). Neste mesmo ano foi publicado o livroOvernight medley, escrito a quatro mãos com o brasileiro Floriano Martins, em versão trilíngue (inglês, espanhol e português), edição ilustrada com manuscritos de criação dos poemas e um texto elucidativo do pianista Jovino Santos Neto.


PÉRICLES PRADE (Brasil, 1942)
Poeta, narrador e crítico de artes. Possui extensa e densa obra, da qual referimos, apenas no âmbito da poesia, uns títulos mais recentes: Sob a faca giratória (2010), Casa de máscaras (2013), Memória grega e outros poemas viajantes (2014), O retorno das serpentes (2017). Na área ensaística escreveu livros sobre alguns artistas catarinenses, além de volumes dedicados à obra plástica de Valdir Rocha e Franklin Cascaes. Na narrativa, ou prosa poética, encontram-se, em especial dentre outros, dois livros reveladores: Os milagres do cão Jerônimo (1971) e Alçapão para gigantes (1980). Tem em preparação editorial o conjunto de sua obra poética.


R. LEONTINO FILHO (Brasil, 1961)
Poeta e Ensaísta. Publicou os livros de poemas Cidade Íntima (1987/ 1991/ 1999); Semeadura (1988) e Sagrações ao Meio (1993) e A Geometria do Fragmento (Ensaios, 2008). Autor do ensaio de crítica literária, inédito em livro, intitulado: Sob o Signo de Lumiar – Uma Leitura da Trilogia de Sérgio Campos (Natal: UFRN/Programa de Pós-Graduação em Estudos da Linguagem, 1997). Doutor em Estudos Literários pela UNESP (Campus de Araraquara/SP) com a tese: Lavoura arcaica – o narrador solto no meio do mundo (2005).


SÉRGIO CAMPOS (Brasil, 1941-1994)
Poeta e ensaísta. Autor de livros como O lobo e o pastor (1990), As iras do dia, (1990), Móbiles de sal (1991) e A cúpula e o rumor (1994). No espaço de dez anos, Sérgio Campos publicou exatamente doze obras. Sua estréia em livro individual aconteceu, em 1984, com A casa dos elementos, composto por seis odes (ao mar, à terra, ao fogo, ao ar, aos quatro ventos elementares e aos quatro pássaros elementares) e um soneto ao Pássaro Anael. Uma estreia, certamente tardia, o poeta nascido no Rio de Janeiro em 1941, estava com 43 anos. Em 1990, Sérgio Campos adentrou no mundo manual. Cria as edições com este nome e começa uma caminhada de divulgação poética que inclui a sua obra e a de outros escritores brasileiros. Ao longo de quase cinco anos de existência da Mundo Manual Edições, vieram a lume quinze livros (basicamente títulos seus, de Floriano Martins e Francisco Carvalho), todos em edições bem cuidadas, caprichosamente trabalhadas, com o esmero que a poesia merece. (R. Leontino Filho)


VALDIR ROCHA (Brasil, 1951)
Aquarelista, desenhista, escultor, gravador e pintor, com dedicação às artes plásticas desde 1967. Como artista plástico, seria aquilo que se costuma chamar autodidata, ainda que não aceite tranquilamente esse rótulo, “porque, atualmente, todas as pessoas que têm acesso pleno às informações podem aprender com todo mundo”. Publicou diversos livros, dentre eles, Cabeças (2002), Cárcere privado (2006), Confidências (2013), Gravuras em metal (2002), Intimidades transvistas (1996), Mentiras, verdades-meias e casos veros (1994), Pós (2015), Repentes (2015), SÓS (2010), Títeres de Ninguém (2005) e Xilogravuras (2001). Realizou algumas exposições individuais e participou de poucas coletivas. Prefere mostrar sua obra através dos livros. Acerca de sua obra dedicaram livros de estudos Mirian de Carvalho, Jorge Anthonio e Silva, Péricles Prade, dentre outros.


VIVIANE DE SANTANA PAULO (Brasil, 1966)
Poeta e ensaísta, residente na Alemanha. Publicou Passeio ao longo do Reno (2002), Estrangeiro de mim (2005), Depois do canto do gurinhatã (2010) e Abismanto (com Floriano Martins, 2012). Destaca-se seu trabalho ensaístico, em parte sobre cultura alemã, muitos desses textos publicados em Agulha Revista de Cultura.


ZUCA SARDAN (Brasil, 1933)
Poeta, desenhista, dramaturgo, com fortes vínculos em relação a Dadá e Surrealismo, acentuados por uma declarada afinidade com a Patafísica. Linguagem atípica, irônica, farsesca, que não o situa em tradição alguma no Brasil. Ao lado de Floriano Martins, a quatro mãos, escreveu uma série de peças de teatro, à espera de sua adaptação para os palcos. Algumas delas se encontram em nossa coleção, assim como uma antologia de seus escritos e desenhos.




[ PLANO EDITORIAL ]


Na contramão de uma suspeita crise no mercado editorial – seja na astúcia das grandes redes de livraria e seus pedidos de recuperação judicial, seja nos vícios renitentes da parte de grandes editoras em manter seus catálogos regidos exclusivamente pelo valor de venda e não seu correspondente valor cultural –, verifica-se o crescimento de interesse brasileiro pela leitura, e igualmente se vislumbra uma renovação estética, o surgimento de novas gerações com texto relevante, na criação, no ensaio e na tradução, situando lado a lado a aparição de novos autores e o empenho saudável pela recuperação de autores que foram ao longo do tempo esquecidos, por razões tanto da ordem de equívocos na composição de catálogo das editoras quanto pela dificuldade imposta por herdeiros.
ARC Edições, Editora Cintra e Agulha Revista de Cultura vêm apostando suas cartas no estabelecimento de melhores condições editoriais, tomando por base o imperativo cultural, a ele atrelado, como decorrência natural, o aspecto comercial. A revista é o espaço priorizado para a irradiação do que se edita e do que se pretende editar, formando condições de leitura e aquisição. Sendo uma publicação de circulação gratuita, pode sondar os mais diversos territórios, que virão a definir os catálogos, impresso e virtual, dos dois selos editoriais. A parceria entre ARC Edições e Editora Cintra, explora as veias virtuais de um mercado editorial ainda de certo modo incipiente no Brasil, através da coleção “O amor pelas palavras”.
Por sua vez, através do catálogo de livros impressos, ARC Edições busca atuar em áreas complementares: a descoberta de novos autores, a recuperação de obras fundamentais que não tiveram a devida atenção do mercado e, por razões paralelas, a publicação de autores estrangeiros. Nestes dois últimos modos as condições editoriais são discutidas caso a caso, incluindo a perspectiva de convênios que permitam a feitura do livro. Ao se tratar de novos autores, ou de livros de autores atuantes, o tratamento contratual envolve a seguinte norma: cuidamos da edição (leitura de originais, formatação, capa, ilustrações, revisão, preparação de matrizes para impressão, finalização, impressão, frete), em seguida inserindo o livro, em página própria, em nossa loja virtual. Ao autor, por sua vez, repassamos os custos editoriais, sem reter os direitos de edição, cabendo ao próprio toda a receita pelas vendas. Com isto, tanto garantimos um custo favorável, quanto damos ao processo transparência e cumplicidade entre as partes envolvidas. Os contatos devem ser feitos através do e-mail floriano.agulha@gmail.com ou da página em Facebook da ARC Edições.
Abraxas






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