terça-feira, 9 de junho de 2026

ELYS REGINA ZILS & FLORIANO MARTINS | Cacilda Teixeira da Costa e os privilégios da crítica

 


1 FLORIANO MARTINS | O olhar de Cacilda Teixeira da Costa Sobre Wesley Duke Lee

 

A historiadora, crítica de artes e curadora Cacilda Teixeira da Costa (1941) é um personagem extraordinário no ambiente das artes plásticas no Brasil, em especial no que diz respeito à compreensão do período de vanguarda e seu realce no mundo contemporâneo. Sua biografia inclui o pioneirismo de ter sido coordenadora do primeiro núcleo de videoarte em um museu brasileiro, criado em 1976 no MAC-USP a convite de Walter Zanini. Cacilda teve atuações igualmente expressivas como diretora do Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP) nos anos 1990 e curadora de videoarte na 16ª Bienal de São Paulo, assim como editora executiva da História Geral da Arte no Brasil, livro fundamental organizado por Walter Zanini. O trabalho de Cacilda Teixeira da Costa possui a importância singular de haver profissionalizado a curadoria no Brasil, ao unir o rigor acadêmico da historiografia à prática institucional em um momento de grandes mudanças tecnológicas. Graças à sua presença decisiva no ambiente da videoarte, ela facilitou que artistas usassem equipamentos caros e raros, transformando o espaço onde coordenava o núcleo de videoarte em um laboratório de criação. Cabe lembrar que ela ajudou a definir o fazer curatorial como uma atividade de pesquisa profunda, e que sua atuação como editora executiva da referida obra História Geral da Arte no Brasil levou à criação de uma base teórica necessária para que curadores tivessem ferramentas de análise histórica sólidas. Entre seus livros encontram-se 70 Anos de Arte Brasileira (1977), e Wesley Duke Lee: Um Salmão na Corrente Taciturna (2005), assim como sua colaboração em Arte no Brasil: 1950-1985 (2004).

Graças à publicação de A questão Wesley (2025), confirmamos esta que foi uma das mais longevas parcerias entre crítica e artista no Brasil, uma profunda relação de amizade que manteve com Wesley Duke Lee (1931-2010). Organizadora de mostras, Cacilda foi também responsável pela sistematização teórica da obra deste artista, tendo dedicado mais de 20 anos de pesquisa à sua vida e obra. Cacilda teve acesso privilegiado aos diários e escritos pessoais de Wesley, o que permitiu que ela fizesse uma curadoria interna, conectando a técnica rigorosa do artista às suas obsessões pessoais, como o misticismo e a sexualidade, temas que ela ajudou a legitimar no ambiente acadêmico. Desde um primeiro momento, com a publicação de Wesley Duke Lee: Um Salmão na Corrente Taciturna (2005), ela já havia chamado a atenção para a singularidade da rebeldia na obra do artista, evidenciando, dentre outros aspectos, a criação do Grupo Rex (1966-1967), por ela considerado um movimento de guerrilha cultural e deboche institucional, essencial para o nascimento da arte contemporânea no Brasil. O livro documenta o fato do grupo não se interessar apenas pela criação de um espaço para vender quadros, mas sim de um local de provocação, descrevendo a Rex Gallery & Sons como uma paródia das galerias comerciais, onde o grupo buscava dessacralizar o objeto artístico. O grupo também editou o jornal Rex Time, que estava muito além de ser apenas uma publicação informativa, constituindo uma peça de arte em si. E o faz ao analisar as colunas satíricas e o uso da estética Pop como uma ferramenta de crítica direta aos críticos de arte da época e ao mercado, funcionando como um manifesto contínuo de liberdade criativa.

Ao abordar especificamente a liderança de Wesley Duke Lee no grupo, Cacilda utiliza a metáfora do salmão para descrever essa rebeldia, seu esforço exaustivo de nadar contra a correnteza do bom gosto burguês e do academicismo, mesmo que isso custasse seu isolamento comercial. Enfim, ela defende que o Grupo Rex profissionalizou a rebeldia ao dar a ela um suporte intelectual e documental (através do jornal e das ações registradas), permitindo que o humor fosse levado a sério como ferramenta crítica. Cacilda Teixeira da Costa utilizou grandes exposições para consolidar o lugar de Wesley Duke Lee e do Grupo Rex na história da arte, transformando o que era rebeldia transitória em um legado histórico. Dado imperativo de se mencionar é que ela não curou apenas as exposições, como mostras temporárias, tendo curado a história, ao levar o sistema de arte a aceitar que o deboche e a crítica institucional eram, na verdade, contribuições intelectuais de altíssimo nível.

O sabor especial que assume a publicação agora desta edição de A questão Wesley é dado pela configuração de uma amizade que superou a simples relação profissional, resultando em uma parceria intelectual e afetiva que durou quase 40 anos, marcada por uma confiança absoluta. Wesley sempre foi um interlocutor constante e sumamente divertido em sua vida, pois seu humor crítico era sobretudo um gesto de amor em relação à arte. Wesley foi artista que acumulou milhares de anotações, desenhos em guardanapos e diários densos, tendo confiado a Cacilda o acesso total a esse caos pessoal. Sua decisão de dedicar um doutorado a Wesley foi um gesto de amizade e reconhecimento. Na época, muitos na academia ainda o viam como um rebelde maldito ou apenas um pop extemporâneo. Ao escrever sobre ele com rigor acadêmico, deu ao amigo a legitimidade que o mercado e a universidade relutavam em oferecer. Não esquecer que o artista, conhecido por ser genioso e avesso a críticas superficiais, aceitava as análises de Cacilda porque sabia que elas vinham de alguém que realmente compreendia suas obsessões (como o misticismo e a heráldica). Após a sua morte, Cacilda percebeu que era uma das poucas pessoas que conseguia decifrar os manuscritos e as intenções por trás de obras inacabadas, o que a levou a atuar como consultora essencial para museus e colecionadores que precisavam autenticar ou entender a cronologia do artista, tornando-se assim uma voz ativa contra o esquecimento da importância de Wesley Duke Lee. Em entrevistas e palestras pós-2010, ela frequentemente criticava como o mercado de arte tendia a simplificá-lo como apenas um artista pop, reforçando sempre a complexidade intelectual e mística que ela conheceu de perto. Em 2015, Cacilda, em parceria com a sobrinha do artista e o galerista Ricardo Camargo, criou o Wesley Duke Lee Art Institute.


A questão Wesley (publicado originalmente em 2016), que agora ganha uma edição ampliada, como sua autora mesmo observa, reúne textos publicados sobre o artista em datas diversas, destinados a diferentes veículos e com objetivos específicos. Neste mesmo texto introdutório, Cacilda recorta que Wesley Duke Lee, artista e pensador independente, foi um dos introdutores da Nova Figuração em séries de têmperas e desenhos que abordavam as questões do sagrado, da sexualidade e do poder, frisando que sua obra está em conexão com a trajetória de sua vida, com os aspectos religiosos, puritanos e idealistas da família paterna, de origem norte-americana e com o erotismo e a forte carga emotiva do lado materno, de origem portuguesa. Fato é que Wesley foi um desses artistas atípicos, cujo humor visceral assumia uma audácia crítica que o situava além de seu próprio tempo, e cujo rigor e disciplina com que mergulhava nas entranhas de inúmeras técnicas dava à sua obra uma potência estética admiravelmente complexa. Cacilda acompanhou de perto essas tensões criativas, sendo uma notável decifradora de sua sôfrega genialidade.

 

2 ELYS REGINA ZILS & FLORIANO MARTINS | A entrevista

 

ERZ | Nos anos 1970, quando o vídeo ainda era uma linguagem experimental e de difícil acesso técnico no Brasil, você participou diretamente da criação do núcleo de vídeo do MAC-USP ao lado de Walter Zanini, ajudando a estruturar um campo que praticamente não existia institucionalmente. Você acompanhou de perto o surgimento da videoarte no país, desde os primeiros experimentos até sua inserção em museus, bienais e circuitos internacionais. Como você avalia a trajetória da videoarte brasileira desde aqueles primeiros experimentos até a produção contemporânea? O vídeo ainda preserva hoje algum potencial de ruptura ou se institucionalizou como linguagem assimilada pelo sistema da arte?

 

CTC | O vídeo é uma linguagem a que os artistas podem recorrer normalmente dependendo da obra. Por si só não é uma ruptura, que será definida pela obra. O uso do VT já foi uma ruptura em si, mas creio que hoje não é mais.

 

ERZ | Ao longo da sua trajetória, você atuou em museus, bienais, televisão e projetos de formação cultural, sempre refletindo sobre os modos de circulação e recepção da arte contemporânea no Brasil. No texto Caminho das Pedras: A arte da proximidade, entre outros, você discute como a arte contemporânea desafia classificações estáveis e exige do público novas formas de percepção diante da constante incorporação de tecnologias, linguagens e experiências híbridas. Hoje, olhando para o cenário brasileiro das artes visuais, você acredita que a arte contemporânea se tornou mais acessível ao público ou ainda existe uma distância entre produção artística, instituições e sociedade?

 

CTC | A arte contemporânea é acessível (vejam os grafites por exemplo), mas nem todos estão interessados, e ela pertence àqueles que a procuram. Mas por muitas vezes por ser inusitada nem sempre é compreendia e degustada.

 

FM | Essas duas décadas foram tempos de misturar arte e vida de forma visceral, algo muito presente no Grupo Rex e na própria vanguarda que você acompanhou de perto. Hoje, em um mundo tão digitalizado e muitas vezes previsível, você acha que perdemos um pouco daquela eletricidade e do perigo que a arte representava?

 

CTC | Atualmente não convivo mais com as vanguardas, mas acredito que essa eletricidade permanece – de outras formas talvez.

 

ERZ | No livro Roupa de artista, você investiga como o vestuário deixa de ser apenas elemento complementar para tornar-se linguagem autônoma dentro da arte contemporânea, atravessando performance, corpo, moda e artes visuais. O que o vestuário revela sobre o corpo e a subjetividade na arte contemporânea que outras linguagens talvez não consigam expressar? E como você percebe hoje a relação entre moda, performance e artes visuais no Brasil?

 

CTC | A roupa pode ser também um meio de expressão como outros. Vestir ou desvestir são possibilidades de expressão.

 


 ERZ | Você dedicou mais de duas décadas à pesquisa sobre Wesley Duke Lee, produzindo livros, retrospectivas, filmes e estudos fundamentais sobre sua obra. Em muitos momentos, Wesley aparece como um artista impossível de encaixar: entre pop art, surrealismo, performance, objeto, desenho, misticismo e experimentação conceitual. O que mais te intrigou intelectualmente em Wesley Duke Lee a ponto de sustentar uma pesquisa tão longa? E por que você acredita que ele ainda ocupa um lugar tão singular e, por vezes, difícil dentro da história da arte brasileira?

 

CTC | Quem me induziu a procurar Wesley foi o professor Walter Zanini com quem estudei e trabalhei muitos anos. Wesley era para ele o salmão na corrente taciturna, no sentido de estar sempre nadando contra a corrente, desafiando as normas estabelecidas. Assim, estudá-lo era sempre surpreendente e ao final gratificante. Mas fiz também pesquisas sobre a arquitetura do ferro, sobre roupa de artista, livros de arte no Brasil etc., além de trabalhar em diversos projetos. Enfim, Wesley foi certamente a figura mais singular que estudei, mas não foi a única.

 

FM | Cacilda, passar anos lendo os diários e anotações pessoais de alguém de certa forma nos torna cúmplices dessa pessoa. Quem era o Wesley que você encontrou nesses papéis particulares e que o público que frequentava os vernissages barulhentas dele nunca chegou a conhecer?

 

CTC | Era o que já mencionei, um espírito independente voltado para o autoconhecimento, como à procura do sentido das coisas e principalmente de registrar sua visão do mundo. Wesley desenhou, pintou, gravou, construiu espaços e objetos para se conhecer e registrar sua visão de mundo.

 

ERZ | Ao longo da sua pesquisa, você acompanhou os debates críticos em torno da arte brasileira das décadas de 1960 e 1970, especialmente em um momento marcado pela expansão da pop art, das novas figurações e das linguagens experimentais no país. Na sua visão, quais aspectos da obra e da trajetória de Wesley Duke Lee ainda provocam mais desafios para a crítica e para a historiografia da arte brasileira? E de que maneira a produção dele continua dialogando com questões presentes na arte contemporânea?

 

CTC | Wesley, nas palavras de Walter Zanini, era um espírito brilhante e singular em choque permanente com o meio artístico, e isso sempre será um desafio para a historiografia da arte.

 

FM | A sua pesquisa mostra que, por trás do artista polêmico e performático, havia um trabalhador obsessivo, metódico e muito ligado à escrita. Como era essa intimidade dele com as palavras?

 

CTC | Sim, era um trabalhador obsessivo à procura sempre de novos desafios, mas principalmente no campo da expressão plástica, por meio de todas as formas disponíveis, inclusive a escrita.

 

FM | O acervo do Museu Virtual Wesley Duke Lee guarda registros de obras e colaborações que cruzam os universos de dois notáveis artistas, ele e Zuca Sardan, ambos em uma mesma frequência de irreverência e sátira fina. Como era a sua relação com o Zuca e como você enxerga o diálogo entre o humor gráfico/poético dele e o espírito do Wesley? Eles chegaram a trocar figurinhas ou influências nessa São Paulo efervescente?

 

CTC | Sim. Entre eles havia uma sintonia muito grande e mesmo depois que deixaram de conviver como no início, eles sempre descobriam com assombro que as preocupações de um eram as mesmas do outro, mesmo sem se falarem por meses e vivendo em partes longínquas do mundo.

 

FM | Tanto o Wesley quanto o Zuca Sardan parecem ter criado universos muito particulares — o Wesley com seu realismo mágico e cartografias, e o Zuca com seu teatro de sombras e fábulas satíricas. Você acha que o meio artístico da época demorou a entender a genialidade dessa ficção irônica que eles faziam?

 

CTC | Sim, sem dúvida, e o Wesley sempre se ressentiu disso. Creio que o Zuca era mais filósofo.

 


 FM | Este seu livro mais recente, A Questão Wesley (2026), funciona quase como uma máquina do tempo das suas impressões sobre Duke Lee. Você o definiu de forma belíssima como um salmão na corrente taciturna, ressaltando como ele nadava contra as correntes do mercado e da crítica de sua época. Hoje, com o distanciamento histórico e o lançamento de A Questão Wesley (2026), onde você enxerga o maior legado dessa postura rebelde dele? Se Duke brotasse em uma galeria de arte contemporânea hoje, o que você acha que ele estaria ironizando ou criticando no sistema atual?

 

CTC | A definição que também acho belíssima, de um Salmão na corrente taciturna é de Walter Zanini em seu texto Phases em São Paulo de 1964. E continua: … um espírito brilhante singular em choque permanente com o meio artístico. Não posso afirmar, mas creio que ele continuaria crítico  e irônico como sempre foi.

 

ERZ | Sua trajetória atravessa pesquisa acadêmica, crítica de arte, curadoria, televisão e educação cultural. Em um contexto em que a circulação das imagens se tornou instantânea e acelerada, o papel do crítico e do curador também parece ter mudado profundamente. Qual você considera ser hoje o principal desafio da crítica e da curadoria de arte? A necessidade de interpretar a produção contemporânea, aproximar o público das obras, lidar com o excesso de imagens e informações, acompanhar as transformações tecnológicas, ou talvez outras questões que você considere mais urgentes atualmente?

 

CTC | Creio que será sempre possível fazer uma aproximação sensível das obras de arte sem preconceitos ou ideias ultrapassadas.

 

FM | Para fechar: se um jovem leitor da nossa revista quiser travar um primeiro contato com a obra de Wesley Duke Lee hoje, por qual trabalho, série ou conceito você sugere que ele comece a olhar para compreender a força do artista?

 

CTC | Talvez O Trapézio ou uma Confissão, de 1966 da coleção da Pinacoteca de SP, ou as obras da coleção do MASP.




FLORIANO MARTINS (Brasil, 1957). Poeta, editor, dramaturgo, ensaísta, artista plástico e tradutor. Criou em 1999 a Agulha Revista de Cultura. Coordenou (2005-2010) a coleção “Ponte Velha” de autores portugueses da Escrituras Editora (São Paulo). Curador do projeto “Atlas Lírico da América Hispânica”, da revista Acrobata. Esteve presente em festivais de poesia realizados em países como Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, El Salvador, Equador, Espanha, México, Nicarágua, Panamá, Portugal e Venezuela. Curador da Bienal Internacional do Livro do Ceará (Brasil, 2008), e membro do júri do Prêmio Casa das Américas (Cuba, 2009), foi professor convidado da Universidade de Cincinnati (Ohio, Estados Unidos, 2010). Tradutor de livros de César Moro, Federico García Lorca, Guillermo Cabrera Infante, Vicente Huidobro, Hans Arp, Juan Calzadilla, Enrique Molina, Jorge Luis Borges, Aldo Pellegrini e Pablo Antonio Cuadra. Entre seus livros mais recentes se destacam Un poco más de surrealismo no hará ningún daño a la realidad (ensaio, México, 2015), O iluminismo é uma baleia (teatro, Brasil, em parceria com Zuca Sardan, 2016), Antes que a árvore se feche (poesia completa, Brasil, 2020), Naufrágios do tempo (novela, com Berta Lucía Estrada, 2020), Las mujeres desaparecidas (poesia, Chile, 2022), Sombras no jardim (prosa poética, Brasil, 2023), e Obra-prima da confusão entre dois mundos (poesia, Brasil, 2026). 



ELYS REGINA ZILS (Brasil, 1986). Poeta, artista visual, tradutora. Doutoranda e Mestre em Estudos da Tradução pela PGET/Universidade Federal de Santa Catarina. Possui graduação em Letras-Língua Espanhola e Literaturas e Letras-Português também pela Universidade Federal de Santa Catarina/Florianópolis, Brasil. Se dedica à Literatura Latinoamericana, pesquisando principalmente Vanguardas Literárias e Artísticas com ênfase em Literatura Surrealista Latinoamericana. Editora da Agulha Revista de Cultura (a partir de 2023), revista criada por Floriano Martins. Tem sido responsável, parcialmente, pela curadoria e tradução de poetas hispano-americanos para o Atlas Lírico da América Hispânica, da revista Acrobata. A Sol Negro Edições, casa de livros artesanais, publicou Os elementos terrestres, de Eunice Odio, e Druida, de Marosa di Giorgio, ambas edições bilíngues organizadas e traduzidas por ela. Atualmente tem em preparação a tradução de livro de Olga Orozco, para a mesma Sol Negro Edições. Recentemente criou a Editora Mamma Quilla, cujo catálogo estreia com O dia dos cinco orgasmos (Leila Ferraz), Susana Wald – Visões vertiginosas da criação (ensaio e entrevista, ERZ) e Fragmentos de silêncio (poesia e colagem, ERZ), todos em 2024. Acaba de publicar A língua aprende a morder (poesia, 2026).



JAN ŠVANKMAJER (República Tcheca, 1934). Artista surrealista, marionetista, animador e cineasta, é conhecido por suas releituras sombrias de contos de fadas famosos e pelo uso vanguardista da animação stop-motion tridimensional combinada com filmagens em live-action. Alguns críticos o elogiaram por privilegiar os elementos visuais em detrimento do enredo e da narrativa, outros por seu uso de fantasia sombria. Adaptou obras literárias como Alice e Fausto. Sua obra Šílení (2005, Loucura) foi descrita como uma história de terror cômica que demonstra a influência do escritor americano Edgar Allan Poe e do nobre francês Marquês de Sade. Hmyz (2018, Inseto) é baseado na peça Ze ivota hmyzu (1921, A Peça dos Insetos) de Karel e Josef Čapek. A obra plástica de Jan Švankmajer nos acompanha nesta edição de Agulha Revista de Cultura em que é nosso artista convidado. Também podemos encontrar uma reveladora entrevista que lhe fez Floriano Martins, publicada em três idiomas.

  



Agulha Revista de Cultura

Número 265 | junho de 2026

Artista convidado: Jan Švankmajer (República Tcheca, 1934)

Editores:

Floriano Martins | floriano.agulha@gmail.com

Elys Regina Zils | elysre@gmail.com

ARC Edições © 2026


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